Alternativas na Fotografia (comercial) em tempos de mudanças [parte1] | #Insights

O fim está próximo! O fim está próximo! Os arautos do fim ou profetas da crise sempre alardearam sobre uma possível crise na fotografia. Para quem trabalhou anos e anos seguidos escutava isso com incredulidade. Mas, a verdade é que esse tempo chegou.

O fato realmente pediu atenção quando prestei atenção ao cenário. Trabalhava em uma empresa que todo o setor de fotografia – antes primordial – foi desmantelado. Nesse mesmo contexto, ouvi de um colega a seguinte frase: “Como vender algo que tudo mundo já tem.” A frase, que traduz a relação de uma pertinente lei de mercado chamada “oferta e demanda”, tirou o véu da face e percebi que era necessário rever alguns pontos na minha caminhada profissional.  Entretanto, antes do desespero, precisamos ponderar.

O fluxo natural do modernismo é assim mesmo. Ou você aceita, se adapta, tenta se reinventar ou fica para trás e lamenta. Certamente quem vendia carroças – lembrados da anedota sobre o cavalo – não apostou que carro iria se consolidar. Os cavalos, as carroças e todos que achavam que o cavalo ainda seria o principal meio de transporte foram atropelados, não só pela perspectiva econômica, mas por uma quebra de paradigmas em relação ao sentido de movimento, locomoção, agilidade. Uma ruptura.

Isso ocorre em todos os segmentos e campos, abrange tecnologias e soluções que impactaram o mercado e profissões e, consequentemente, o comportamento das pessoas e suas escolhas. E, atualmente, isso ocorre muito rápido. O telefone convencional levou dezenas de anos para atingir e atender toda a população, hoje um aplicativo – como um jogo, um canal de streaming, alcança em meses. Taxistas acreditavam que seriam o único meio de transporte coletivo, mas veio a Uber e tudo mudou. Não desapareceram, entretanto, precisaram repensar conceitos de concorrência, melhorias no serviço.  

Como mencionado acima, a superação é uma questão de tempo – seja pelas invenções (melhorias) e/ou pelas mudanças de hábitos. Trazendo essa perspectiva para a fotografia ou especificamente para o trabalho dos fotógrafos, temos um momento diferente, de mudanças. A fotografia deixou de ser um item no qual buscava-se um especialista (o fotógrafo). Tudo foi modificado diante da democratização – acesso aos equipamentos, facilidade operacional (simplificação) e pulverização dos conhecimentos canônicos da área.

A reflexão proposta até o momento traz algo de positivo. Sim, há crítica tem seu aspecto favorável. Por mais disseminada, a fotografia, especialmente a de qualidade, não deixou de existir e ter demanda. O que ocorreu propriamente foi um deslocamento. Atualmente se produz mais imagens do que nunca. Não há produção suficiente que satisfaça essas redes sociais e todo ideário da sociedade pictures. Nesse entremeio, quem ficou órfão ou deslocado foram os fotógrafos.

Essa reflexão sobre o status da fotografia (e dos fotógrafos respectivamente) é necessária e nos faz pensar sobre o que precisamos fazer para buscar alternativas ou reposicionamento. É difícil ver aquilo que você colocava valor, crença e de um momento para o outro passa a valer ou ter pouca relevância. Mas, aqui entre nós: isso acontece, faz parte. Para não ficar andando em círculos e resistindo ao que é inevitável, vale fugir da lamúria, levantar a cabeça, somar as qualificações, afinar o foco e buscar novas perspectivas. Afinal nada se acaba, mas se transforma. E se tratando da fotografia, muita coisa ainda vai mudar e pode ser explorada em produtos, segmentos ou mesmo na própria natureza das artes. Logo, para acompanhar as transformações vale o tino e a resiliência.

Esta prolixa ponderação vale para o mercado da fotografia em geral. Tanto na fotografia autoral, artística quanto na comercial, faz-se necessário pensar soluções ou reposicionamentos. E nada está sendo descartado. Reinvenção do que já era praticado, apostar no marketing, arriscar inovações nos produtos e serviços, agressividade e apelo de preço entre muitas outras propostas como a novidade de NFts.

Pensando sobre isso, listo numa espécie de autoria empírica (também traço observações e comentários) alguns nichos e alternativas que podem ser exploradas, pensadas, reformuladas e trabalhadas. Não se trata de nada mirabolante, apenas uma forma de rever alguns segmentos tradicionais da fotografia, encarando as facilidades e os modos práticos de fazer (acessível ao público), assim como a sua relevância em segmentos da sociedade. Isto é, se ainda apresentam possibilidades.   

1) RETRATOS

Retratos podem ser encomendados para revistas, matérias de perfil e afins. Também há quem faça por novas necessidades de marketing pessoal como atualizar sites, perfis de redes sociais.

Trata-se de uma área da fotografia bem prazerosa e instigante. Pode ser feita em estúdio – domínio de luz, equipamentos e direção. O apelo de venda é que há uma grande diferença no sentido do fazer o retrato – não somente pelo equipamento – mas por questões técnicas e de percepção do fotógrafo. Um retrato bem dirigido, bem explorado (luz, arte, essência) é substancialmente potente e faz enfrentamento ao uso do trivial.  

Retrato do procurador Deltan Dallagnol para a revista Época

Contudo, para se aventurar nesse segmento vai ser necessário certo investimento em equipamentos – caso queira montar um estúdio –, assim como estudo da natureza do retrato (vide artigo O Desafio do Retrato). Também será necessário buscar os mercados e pessoas que apreciam e valorizam esse tipo de fotografia.

2) FOTOS PARA DECORAÇÃO

Um setor modesto, mas que aparece. Há muitas pequenas galerias (físicas e virtuais), designer e arquitetos que abrem as portas para a comercialização desse tipo de fotografia. No que diz respeito ao tipo, podem ser de paisagem (landscape), arquitetura (cityscape), minimalismo, abstratas, entre outras.

O drone trouxe um novo olhar sobre pontos bem comuns. O que possibilitou explorar esteticamente áreas e parte da cidade não tão acessíveis, possibilitando planos diferentes. Isso agregou valor, pois há visadas que fotógrafo e pessoas não têm (lembre-se que tudo hoje já foi fotografado). Ou seja, você oferece novas perspectivas daquilo que já existe.  

Além disso vale investir também em uma cultura de relacionamento (networking) com designer, arquitetos, construtoras entre outros especialistas ligados ao setor de decoração. Podem oferecer seus trabalhos e até mesmo ajustar demandas e pedidos específicos.

Um pequeno fator paralelo influencia e ajuda nesse sentido. Muitas pessoas compram produtos artístico não somente pela estética em si, mas com grande apelo à autoridade de quem fez. Mas, não custa tentar!

3) FOTOS DE PRODUTOS E FOOD

Um campo promissor diante das novas demandas de venda online e de marketing nas redes. Não só as empresas (marcas) precisam de fotos para divulgação, mas há uma boa dose de pessoas empreendendo na internet.

Embora todo mundo faça as fotos de seus produtos com o smartphone, há situações que se exige um pouco mais de apuro e conhecimentos para compor e valorizar o produto – seja comida ou produtos diversos. É aqui que o bom e velho conhecimentos de enquadramento, de iluminação, equipamento específicos como lentes macro, teles, luz contínua, vídeo e stop-motion, entre outros itens, pode fazer a diferença. Além disso há o know-how do saber produzir, harmonizar, macetes do foodstyling ou mesmo a edição criativa e tudo mais que envolva uma pós-produção.

Diante de um cenário como o atual, você pode optar em oferecer fotos de gastronomia para pequenos restaurantes, lanchonetes e bistrôs ou para aquela senhora que faz os docinhos para vender. Montar pequenos pacotes para atender as necessidades (e recursos) do pequeno empresário que precisa de fotos para o cardápio ou mesmo para divulgação em redes sociais e plataformas como iFood.

Como outra opção pode-se disponibilizar uma espécie de assessoria de imagem. Tanto para fotos de comida quanto para fotos de produto, tu podes disponibilizar um curso rápido de como melhorar as tomadas de pratos e afins.

E caso você disponha de habilidade extras, acrescente ao trabalho de fotos uma possível trabalho adicional de consultoria. Ou seja, oferecer instruções para realizar além das fotos, vídeos, efeito 3D, criar storytelling dos produtos e da marca – mesmo pequenos empreendimentos.

No próximo post conversamos de outros nichos que são possibilidades e desafios (ou risco) para começar.


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