O que faz uma fotografia ser uma fotografia artística? | #Insight

O que se faz necessário para afirmar que uma dada fotografia é artística? Ou seja, o que ela tem ou foi incorporado para nutrir o status de obra de arte. A questão não é tão pragmática e, na verdade, muito mais subjetiva de responder. Principalmente diante das abrangentes fronteiras do conceito de arte.

Pensar o conceito de arte é território arenoso, até mesmo muito tênue diante de tantas realidades e interpretações do assunto. Eu sequer arrisco, especialmente não tendo uma formação e arcabouço teórico necessário.

No sentido geral, aprecio a ideia de que arte pode ser aquilo que nos remete além do objeto, no seu sentido do devir e não apenas o reconhecimento em si. A “singularização”, conforme Viktor Chklóvski. Algo que leva a algo mais refinado no sentido da expressão, interpretação e experiência. Isto é, proporcional não somente um tipo de experiência – do belo, por exemplo – mas, outras perspectivas, revisão de conceitos e visão de mudo. Levar a uma reflexão, por assim dizer.

A arte tem a capacidade de acalentar, de embalar, de evocar algo, de curar feridas. Entretanto, ela também tem a capacidade de cortar ainda mais fundo e fazer sangrar. Em certas ocasiões é compreendida, exaltada. Em outras, é repreendida por quem a vê e condenada. A arte tem esse poder.  

A arte talvez pareça envolver pinceladas fortes, grandes esquemas, grandes planos. Mas é a atenção aos detalhes que salta aos olhos; a imagem singular é a que nos impressiona e se torna arte. – Julia Cameron

Aproximando a questão para a nossa área, a fotografia, poderíamos arriscar que esse fluxo e ponderações são mais que válidos. Ou seja, há uma proposta  de elevar a relação da sua função primária, ou seja, seguir além do objeto – seu teor representacional. Ou seja, avança além da coisa objetiva da fotografia.

No que tange a arte fotográfica e sua história, o livro “A fotografia – entre documento e arte contemporânea”, de André Rouillé, traz muito escopo sobre o assunto específico. Vale a leitura para entender o quanto o movimento rumo ao reconhecimento foi árduo, paulatino e conflituoso. Consolidada a questão, atualmente, a fotografia é algo comum e cotidiano. Tão inerente que suprime ou relativiza sua importância.

Territorialidade

Há um outro aspecto que gosto de considerar: a territorialidade. De forma geral é uma ponderação do locus. Ou seja, o lugar, como ela se apresenta e a para quem apresenta. No sentido que há duplo sentido, pois nesse contexto do lugar também é necessário a aceitação. Porque não basta dizer que é arte, também é necessário que a aceite como tal. Então, a territorialidade não é apenas um lugar em si, mas se considera o ambiente (físico ou virtual) e seu público-segmento.

Diante de tantas imagens, dos pictures, das redes sociais, do mundo mediado por imagens, arriscar dizer que a uma fotografia é artística não depende só de um posicionamento ou categorização comum. Não é só converter as fotografia para o preto e branco, fazer algum tipo de intervenção ou mesmo colocá-las numa moldura. Há finas linhas que tecem a manta da arte e de todo seu corpo. Como aquela discussão entre arte e artesanato.

Por fim, considero relevante o aspecto de quando a fotografia rompe a realidade de sua natureza – puramente o registro – acolhe as possibilidades da linguagem rumo a algo mais poético. Proporciona ao espectador o exercício da mudança da percepção, instiga, gera o debate (consigo), inflige o confronto de ideias. Uma catarse consciente, seguida de singelo assombro.

A arte, em seus mais variados gêneros, tem essa capacidade. A fotografia também.

É um desafio, certamente


Este é apenas uma ou duas ponderações sobre o assunto, certamente há muitas outras. Você tem em mente algum outro conceito, opinião ou mesmo sugestão para definir o que faz uma fotografia uma fotografia artística. Deixe registrado nos comentários.

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