Pense fora da caixinha | #Insights

A redes sociais tornaram a “engavetar” as fotos. Vemos muito, visualizamos tudo e ao mesmo tempo não se vê nada. Estamos ficando cegos de tanto ver.

or algum tempo anterior aos adventos virtuais, a função da fotografia foi compor um álbum, ser um recorte de memórias e narrativas, especialmente as particulares pessoais e vernaculares. Depois do advento da internet e das incorporação da vida às redes sociais, houve um deslocamento. Numa expressão simplória, a fotografia saiu da gaveta. As redes sociais tornaram-se nossos “álbuns modernos”. A fotografia se diluiu, desmaterializou-se, mas também foi ampliada.

Convido a (re) pensar esse termo dos “álbuns”. No que tange o conceito de álbum sabíamos que ficava na gaveta, guardava nossas memórias. Aprisionava fotografias. Mas, será que as redes sociais – Instagram, por exemplo – também não estão a fazer isso?

Andy Adams, num post em seu perfil no Twitter, acha que o Instagram tornou-se uma caixinha de fotos. Guardamos (publicamos) tudo lá, achamos que vamos ver (ser vistos), apreciá-las, porém não há esse movimento e engajamento.

Dito isso, não é de se pensar que aquilo que foi o libertar (da gaveta), agora tornou-se tão restritivo quanto?

A questão aqui não é o quanto as redes sociais são importantes, o que eles fazem ou fizeram, mas sim o que não podem mais fazer. E elas não podem mais aprisionar as suas fotografias. A questão é um dilema.

A questão é um dilema e também fruto da contradição. Então, vale pensar como transpor o usos e funções da fotografia enquanto dependência de redes – ou mesmo grupos – no seu sentido de distribuição e até mesmo no que chamo de sua materialização, pois não há o tangível – no máximo o mensurável – desde que você agrade os algoritmos.

O fotógrafo, teórico e historiador da fotografia Boris Kossoy acredita que a fotografia “impressa”, “física”, continua insubstituível, especialmente sob o aspecto estético. No sentido funcional, de repente, não seja tão pertinente. Contudo, a materialidade ainda tem o seu poder e, não obstante, precisa até ser revista.

Não vamos entrar nos possibilidades de uma dicotomia entre a materialidade (o físico e outras manifestações próprias) e imaterial (o digital, as redes, a total virtualidade). O recorte é acerca dessa apregoação do sentido e conceito de visibilidade. Pois, para continuarmos fotógrafos, para que nossas fotos possam cumprir função (diversificadas) e arregimentar visibilidade, precisaremos re-pensar algumas questões – posicionamento, distribuição, engajamento de grupos e redes (físicas), novas plataformas e afins . Enfim, é para você pensar um pouco fora das caixinha e saber o que pode fazer com suas fotografias, com sua arte, com suas manifestações de expressão.

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