Sempre é show! | #DoArquivo

Fotografei alguns shows. De grupos do underground aos que se achavam a lenda viva da música ou mesmo alguns nomes de peso. No geral nada muito grandioso com estrelas internacionais, lendas do rock ou mesmo do pop e afins. Não dei muita sorte ou por mera exclusão, seleção e/ou espertice dos colegas que se agilazavam com antecedência na escala. Dessa forma, a chance de ser escalado para cobrir um artista que eu sequer sabia a principal música sempre foi grande. Se o show era no sábado à noite, então certamente. Mas, repórter fotográfico não tem disso, aceita o que largam em cima da sua mesa (plano e escala) e segue lá para registrar.

Para esse #DoArquivo econtrei algumas de duas coberturas. Apareceram como aquela música antiga que o artista musical tenta relançar, remodelada com um arranjo novo, sei lá. Porém, você sabe que é mais antiga que as história de juventude de sua mãe. Aliás, você já deve até ter ouvido sua mãe falar sobre … (e o nome do meu irmão que é Fábio Junior. Adivinha?). Mas, já me avisaram mil vezes que gosto é gosto e não se fala mais nisso.

Só para constar: fui cobrir um show e enquanto esperava a liberação fiquei conversando com um colega. Uma mulher nos abordou e demos bater um papo. Acabei por comentar que não sabia nada sobre o artista em questão (era verdade). A fã fulminou-me com os olhos esbugalhados. Como assim não sabia quem era o popstar romântico da vez. Talentoso demais, segundo ela. Um novo Kurt Cobain, só que das músicas baladinhas. O interessante aqui é que nessa a culpa não era dela (nem do artista). Neste caso sou eu o velho demodé em questão. Tratava-se de um cantor moderninho e renomado internacionalmente entre jovens adolescentes e mães que precisam acompanhar os filhos nos shows.

Dessa seleção, fotografei o show do Caetano Veloso, que para ser sincero nunca escutei uma música que não fosse de forma passiva (Tive uma amiga que já tinha nascido velha nos gostos e colecionava discos de mpb e bolssa nova. Certo dia tentou me convencer… ). Mas eu me lembro daquela…. sozinho… aquela, aquela… Daniela Mercury que eu conhecia também de forma involuntária – sabemos que tocava em tudo que é lugar. Poderosa na voz e no palco. Todos talentosos nomes da música popular brasileira. É a nossa cultura.

Quero dizer que nesse contexto, fotografar não é gostar. Você precisa fazer o melhor e extrair o melhor do show – que tem diversas variáveis como a iluminação, a disposição do artista e sua performance no palco (vai que ele não está muito bem aquele dia), se vai rolar alguma interação com o público, o show e as surpresas em si. Enfim, todo o clima que faz um show. O resto é apertar o botão e fazer o que você já sabe. Outra coisa também conta: o pouco tempo que liberam para você fazer seu trabalho. Às vezes, somente a primeira música. Mal dá tempo para entender a sequência de luz e já vem os caras te mandando baixar a câmera e chispar embora. São uns gênios!!!

As fotos de shows abastacem a produção de conteúdo. Algumas que fiz, sequer foram para o site – no mesmo dia do show. Acho que ninguém iria ver mesmo. No dia posterior aparecia algo com um tipo de acordo de cavalheiros para atender a demanda da assessoria.

É show, mas prefiro a festa punk. Desculpe aí amiga das antigas que já era das antigas.

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