Ela já foi o Sol | #Insights

A fotografia teve um importante papel na forma de ver e entender o mundo, especialmente as aventura humanas e as nossas descobertas. Encantou, por conseguinte ao seu lançamento. Ora amada, ora menosprezada, atravessou tempos, gerações, apresentando e representando (vorstellung/darstellung) o real. Um advento da engenhosidade, com usos e funções, que encontrou o mundo vísivel e um homem ansioso, curioso por descobrir e apresentá-lo. Fruto maravilhoso da modernidade que iluminou a nossa concepção sobre a realidade.

Desenvolveu-se e operou como um advento útil em diversas partes e saberes, aproveitando ao máximo sua funcionalide e materialidade. Do científico ao artístico, atravessando áreas como a indústria, a arquitetura, a moda, a imprensa, a publicidade, ao uso trivial e pitoresco. Ajudou a ver o mundo, influenciando, transformando e criando hábitos. Em seu mágico cerne e fonomenologia, possui um estado revelador, não somente em sua natureza de imagens latentes – sempre por surgir – mas, também, por se atrelar a um mundo sempre a ser revelado.

Porém, há algo que foi perdido – ou pelo menos tornou-se mais sutil – nessa nova instância de tempo que é a atualidade. Há uma demasiada sensação de empapuçamento. As imagens superabundam numa intemporalidade? Hoje vemos demasiadamente, porém, apenas como algo que passa aos nossos olhos e pouco aos nossos sentidos. Onde foi parar o punctum de Barthes?

Nesse ponto falo do seu poder revelador de mostrar as coisas e mundos nunca vistos e inacessíveis. Atualmente, diante de tudo apresentado, esmiuçado, revelado, publicado, compartilhado em hiperconexão de megas redes, esse “poder” e exclusividade trancendentais estão diluidos. O que era um encatamento – um deslumbramento – diante da imagem latente – não causa mais o efeito – tornou-se menos extraordinário diante de um mundo já estabelecido – em pleno caminho de ser superado. Passou-se ao comum e ao ponto de nem mais tocar, impactar. Enxergamos, mas não vemos. É o excesso da era Pictures.

[continua…]

[1] – A fotografia: entre documento e arte contemporânea. André Rouillé, São Paulo: Ed. SENAC, 2009.

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