Tediosos dias de isolamento | #SnapShot

Os dias de isolamento foram – e ainda são – tediosos. Um enfrentamento novo nessa realidade de uma doença que atacou todo o mundo e nos pôs em confinamento. E desde o primeiros dias, com o agravamento da contaminação pela Covid-19 e a adoção de medidas de “quarentena”, acompanhei o meu filho que ficou em casa. A alegria, as aventuras e as primeiras interações sociais como a convivência na vida escolar, restou a opção de ficar trancado em casa. Algo necessário, mas cheio de novos desafios.

Nessas fases e momentos da pandemia, percebi florescer os momentos de alegria, todavia, também os negativos, resultado desse tempo suspenso. As reações, as mudanças comportamentais, a irritabilidade, estados de melancólia ganharam espaço, expressões e reações. Vi a transição de uma alegria espontânea, de risadas, as corridas e brincadeiras para aqueles momentos de puro tédio, desconforto e até mesmo certa instabilidade emocional infantil. Sem ter para onde ir, enclausurados na nossa realidade pandêmica, com limitações, tomados por receios, medos e até certa dose de neurose, passamos a tentar enfrentar, por vezes, estagnados diante de um ecrã de celular.

A fotografia, como algo presente e rotineiro, foi uma ferramenta. Antes de esgotar as possibilidades de esconderijos no esconde-esconde, antes de enjoar do pega-pega ou dos brinquedos, foi uma forma de improvisar um passatempo ou mesmo como uma forma de documentar esse “novo normal”.

Agora, algumas coisas foram naturalizadas e até superadas: a máscara, o distanciamento, os cuidados, a adoção de novas modalidades de aprendizado e desenvolvimento. Contudo, senti na alma quando meu filho pediu por um “amiguinho”; quando entendia a explicação do porque não poderia ir “lá fora”. Brincou de ir à escola – por saudades -, mas se acostumou com a amizade da TV. Dia desses, ouvi um leve choro (com os olhos marejados) disse-me: – pai, brinca comigo.

Difícil, necessário, a gente sabe. Mas, estranho diante de um mundo que nos era todo. Em breve esses dias ficarão no passado. Também espero que as sequelas, as marcas, sejam poucas e superadas e a gente também se lembre que teve momentos bons. Sim tivemos, e eu registrei.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s