Fotógrafo referência | Muhammed Muheisen

Alguns elementos referencias na fotografia são importantes, não somente pelo contexto – histórico, por exemplo –, mas também por uma questão de linguagem e estilo do fotógrafo. Revendo o arquivo para a seção #DoArquvo, encontrei a foto de um vendedor de balões. Uma “single shot” de uma cena cotidiana; contudo, acabei me lembrando do fotógrafo Muhammed Muheisen, no qual esse elemento simbólico sempre está em foco.

Muheisen é um fotógrafo National Geographic (NG) e internacionalmente aclamado por seu trabalho. Nascido em Jerusalém em 1981, Muheisen é um cidadão jordaniano. Formado em Jornalismo e Ciência Políticas, cobriu eventos em boa parte do mundo – na Ásia, Oriente Médio, Europa, África e nos Estados Unidos da América, bem como eventos na Arábia Saudita, China, Afeganistão, Paquistão, Egito, Jordânia, França, Grécia, Alemanha, Croácia, Áustria, Nova York, Holanda, Sérvia, Hungria, Chipre, África do Sul e Uzbequistão.

Há mais de uma década dedicou-se a documentar a crise de refugiados em todo o mundo, tendo os trabalhos exibidos em diversos festivais e exposições. Como fundador e presidente da organização holandesa sem fins lucrativos Everyday Refugees Foundation, acredita que por meio da fotografia pode ajudá-los, promovendo a educação, a capacitação, também a divulgação e conscientização por meio das imagens, assim como outras iniciativas correlatas.

Como muitos fotógrafos que enveredam por causas humanitárias e de relevância internacional, Muheisen angariou vários prêmios internacionais. Entre eles: vencedor duas vezes do Pulitzer, Imagem do Ano da Unicef, POYI International, Melhor fotógrafo Time (Best wire), YIPPA Awards, premiações com a NPPA Best of Photojournalism, World Press Photo Joop Swart Master Class participant, China International Press Photo Contest e assim segue a lista.

[ PORQUE o TENHO COMO REFERÊNCIA ]

O trabalho de Muhsein é amplo, com foco em eventos de grande proporções, mas ele tem um dom especial para olhar as pessoas – especialmente as crianças, famílias e pessoas que são afetadas nessas descabidas guerras.

O destaque para as crianças refugiadas é de tocar o coração. Não são imagens de choque, apelativas, mas momentos singulares, íntimos, olhares e expressões profundas. Nesses retratos, quase se pode ouvir o sussuro de um questionamento: por quê? São imagens que tocam, pois as crianças são as vítimas inocentes desses conflitos, dessas crises e desencontros políticos e ideológicos.

Mencionei “elementos referenciais”, pois ao dar uma conferida nas fotos postadas nas redes sociais desse fotógrafo, além das crianças, você vai ver diversos registros de vendedores de balões. Notei essa peculiaridade, por vezes destoante como uma cena paralela, algo que funciona como um elemento de ligação ou mesmo de parênteses. Está ali para dizer que essas crianças deveriam estar brincando e sorrindo, não fugindo. Um acalento nessa dura realidade.

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