Conheça um cemitério de animais | #DoArquivo

Sempre tive amigos bichos, especialmente gatos. Fiz amizade com um aos 5 anos, acredito. Na época atual tenho 3 gatos (a Mia, a Shaguá e a Preta) e 2 cachorros (Bidu e a Sacha). Ao longo dos anos, a nossa relação com os bichos, especialmente os domesticáveis, alterou-se consideravelmente. De certa forma, eles foram incorporados e ganharam status de amigos ou mesmo membros da família.

Obviamente, ainda há trocentos casos de maus-tratos, abandono, tráfico de animais ou mesmo a falta de consideração com os animais – outro ser em si. Estamos distantes de um direito dos animais – se é que dá para usar esse termo – ou se algum dia isso vai existir; porém acredito, no respeito. E neste post abordo justamente isso. Essas e outras problemáticas deixa para um outro momento.

Desejo dizer que há um relacionamento afetivo com esses amigos bichos. Podemos afirmar que há amor envolvido e sendo desenvolvido – pois é evolutivo. Desses animais, esses pets, desses amigos bichos, alguns passam rapidamente por nossas vidas, outros perduram numa amizade longa e nos proporcionam experiências incríveis (leia duas das minhas histórias no fim desse post).

Atualmente, levando em conta essa poderação inicial, perder um animal de estimação, que agora vive num contexto diferente de socialização, pode ser um momento de dor e de sofrimento pela morte. Diante dessa nova relação há uma preocupação em dar um destino ou mesmo uma despedida adequada para o amigo bicho. Cemitérios e cremação são opções.

Eventualmente visitamos e fotografamos cemitérios – especialmente no Dia de Finados – mas essa pauta me levou para conhecer um que não era para humanos. Tratava-se de um cemitério de animais. O trabalho foi feito em maio de 2013.

No contexto de lugar, o cemitério de animais não tem cruzes – típica enunciação de fé cristã e crença – assim como outras simbologias comuns em túmulos como os anjos, colunas, vasos – pelo menos nesse não vi – ou mesmo não me recordo totalmente. Ao invés de cruzes, encontra-se flores, enfeites, pequenas estátuas e até brinquedos que foram dos pets. Também há um espaço para homenagens.

A ritualística também segue um roterio semelhante, pois tem o respeito, a despedida, o silêncio fundamental, as homenagens. De rpente, futuramente pode ser que até essa questão da simbologia mude, pois nesse mundo tudo está em movimento e transformação. Afinal, os bichos que eram relegados a um canto do quintal, de falta de empatia, hoje são nossos amigos parceiros.


Abaixo segue duas histórias e experiências de vida que tive com gatos

Gata esperta

Como sou lá do tempo do Epa, minha mãe quis dar fim de uma gata primorosa que tinhámos. Aquela coisa de interior, de uma fase da vida bem sofrida – pobreza mesmo. Colocaram a gata no saco e levavram para deixar em algum bairro distante. Não deu outra. A gata voltou. Minha avó, mancomunada com minha mãe, foram para um nova tentativa. Sem sucesso. Rezava a lenda que se o gato fosse colocado num saco e não olhasse o caminho não conseguiria retornar. Bem, com essa gata não deu boa. Diante do fato que destruía o senso comum delas, comovidas, deixaram a gata ficar.

Briga para salvar o gato

Certa vez, vi uma típica roda da molecada de interior. Campinho improvisado na rua, sem camisa, bermuda surrada, aquele pó vermelho do chão batido já tinha subido e mudado a cor de todo mundo. Subi a ladeira e quando cheguei fui conferir o alvoroço no encosto do barranco. O que me chamou atenção foi um dos meninos, que segurava um pedaço de pau e batia nas moitas de capim. Achei que era uma cobra, calango ou algo assim. Mas, percebi que ele tentava era matar um gatinho, desses malhadinhos cara de sapeca. Não deu outra. Se atracamos no soco, tomei a balaustre e mandei ver nas pernas dele sem dó. Confusão apaziguada pela turma do deixa para lá, peguei o gato e rumei para minha casa numa pernada só.

Na inocência de guri de uns; sei lá, oito, dez anos, mandei ver no remédio – aquele tempo era comum o tal do AS infantil. Vendo a gravidade, também improvisei uma espécie de tala com quatro pauzinho e tecido. Ele miava deseperadamente. Eu desesperado de um lado, minha mãe do outro. Contudo, o remédio cabou fazendo sentido, mas o estrago já tinha sido feito. O malhadinho ficou com a coluna comprometida. Passei alguns dias cuidando dele, sequer saia para brincar. Minha mãe ficou meio irritada, pois o gato miava desesperadamente. Erámos muito pobres e não tinhamos noção nenhuma de tratamento, eu sequer sabia o que era um veterinário ou qualquer coisa do tipo. A única coisa que pude fazer foi colocar o carinho da inocência infantil em ação.

Para resumir; por mais improvável, ele melhorou. Acreditem! Na cozinha da minha casa, que tinha apenas dois cômodos, o chão era daquele cimento amarelo queimado, e servia de piso para a “reabilitação”. Eu ficava de um lado da casa e com o tradicional pss-pss-pss chamava a atenção do malhadinho. Esforçado, ele ficava de pé, esperava alguns segundos e vinha correndinho na minha direção. Corria meia pista e caia no meio do caminho com uma banda do corpo despencando para um lado e a outra parte para o outro, todo desconjuntado. Eu brincava com ele, dava atenção e o carinho na medida que uma criança pode dar. Era um gatinho paraplégico esforçado e feliz. Mas, um dia…

Casa da vó era alegria de moleque, pois rolava brincar e fazer de tudo sem a gritaria e histeria da mãe que cuidava de quatro homens – somei meus dois irmãos e o marido. Na sexta-feira depois da escola, a mãe me despachou para a casa da vó. Quando voltei na segunda-feira, percebi que o gato tinha sumido. Minha mãe, continuou a fazer seus afazeres, nem olhou para os lados disse sem rodeios: ele morreu. As palavras não surtiram efeito e pus-me a procurar. Depois veio a resignação. Fiquei bravo, chorei, chamei-a mentirosa e sai correndo para rua.

Por fim, minha mãe disse que ele morreu de saudades.


Tenho outras tantas histórias. Tal como aquela que, por causa de um gato, tive de fugir de um lugar para não apanhar. Ou como ensinei um amigo marmanjão (que maltratava os bichanos) a gostar, adotar um gato e acabou sendo um apaixonado de chorar lágrimas no dia que seu primeiro gato morreu. Tem a que envolve a Preta (dias de hoje), que salvou a minha vida da minha família duas vezes – duas, acredite.

Mas, essa são histórias para outro post…. Se quiser ler, conte uma história sua aí no coments que eu do um jeito de bolar um post futuro com essas.

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