O legado do voto [#Aspas e #DoArquivo] | #DiaInternacionaldasMulheres

[…] ou se matam as mulheres ou se lhes dá o voto – Emmeline Pankhurst.

A frase, dita por Emmeline Pankhurst, num discurso em 1913, chamava a atenção para a autoridade moral das mulheres de agirem na luta por uma causa justa – participação das mulheres no sufrágio, direitos e cidadania.

Tenho uma admiração peculiar pelo que foi essa luta e contexto histórico das Sufragettes. E além do movimento britânico, vale lembrar também das vozes importantes no movimento americano com a luta de Lucy Stone*, Susan B. Anthony, Elizabeth Cady Staton, grandes sufragistas norte-americanas que conquistaram a mudança – aplicação da 19ª emenda – que garantia o direito ao voto.

A força de espírito, manifestada em militância e mesmo na desobediência civil para desafiar o status quo é um ato criativo**. Lembrando que nada vem sem o rompimento e até o desafiar da história, de costumes retrógrados e concepções “tidas como naturais” ou ordenadas (por uma ordem superior). Inconformismo necessário para a evolução da sociedade.

Do Arquivo

Em relação ao sufrágio, trabalhei em um projeto fotográfico relacionado ao assunto durante alguns anos. Fotografei gente votando, mulheres por trás dos procedimentos de uma eleição, mulheres participando ativamente do processo político e de cidadania.

Nesse contexto do projeto, nesse recorte que é a questão do voto, do sufrágio, tive a oportunidade de fotografar uma sessão judiciária na Justiça Eleitoral e lembro-me de ficar alguns segundos admirando a juíza, sua forma de trabalhar, seu modo de conduzir os trabalhos. Claro que me veio a imagem mental daquelas sufragistas – que foram presas, coagidas socialmente e moralmente.

Momento daquela percepção histórica reverberar. Aquela sensação de viver algo que a história e busca pelos direitos produziram. Logo, queira ou não, aceite ou não, isso remonta lá ao tempo que algumas mulhere levantaram suas vozes, bandeiras, faixas e foram as ruas – foram presas, perseguidas, ridicularizadas, coagidas social, moralmente.

Muitas conquistas ocorreram ao longo dos anos. Temos mulheres presidindo empresas e até países, ocupando posições no mais variados campos da política, temos mulheres ministras, juízas, advogadas, procuradoras, empresárias e nos cargos de liderança e gestão, temos mulheres nas políciais, atuando e desbranvando na ciência; enfim, em todos os tecidos da sociedade.

Mas, as batalhas continuam diante dessa nossa sociedade repleta de desigualdades, de hipocrísias e falácias. Bem, esse apontamento é mais genérico mesmo. Por questões óbvias, meu lugar de fala vai até aqui nesse quesito, prefiro me colocar no lugar de admiração e do respeito. Por fim, meus parabéns a todas as mulheres! Vocês são inspiradoras.

*Lucy Stone foi a primeira mulher nos Estados Unidos a manter o seu nome de solteira. (Foi uma inspiração por aqui. Minha companheira mantém o nome original). Além disso, ela também foi a primeira mulher do Estado de Massachusetts a obter o diploma universitário e primeira mulher a se tornar, em tempo integral, militante a favor dos diretios das mulheres. Lançou o jornal feminino Woman´s Journal – que circulou durante meio século.
** um ato criativo - percepção extraída do livro Originais, de Adam Grant

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