Do Arquivo | Gente grande na escola

Algumas histórias são realmente boas e nascidas para serem compartilhadas. Dependendo de quem as dite, essas histórias ou fatos, ganham a beleza necessária para as apaziguar as agruras. Dessa forma, assim que são contadas devem reverberar por aí nesse mundão virtual. Ainda mais se for para inspirar. A história da dona Maria, da Eliane e do Eliel, na prosa do José Carlos Fernandes, assume esse lado bom e resiliente da vida.

O fato, se caso aprofundássemos, traz uma triste realidade. Daquelas contabilizadas negativamente nas estatísticas brasileiras sobre o ensino e edução. Então reforço o triste, pois não conseguir ir para a escola aprender a ler e escrever (e pensar), deve ser tão triste quanto a palavra tristeza possa castigar. E no caso deles, homens e mulheres; especialmente mulheres, que foram impedidas de estudar num tempo obscuro – e se não tomar cuidado tem gente que ora para esses dias voltarem. Mas, deixa o mal lá no passado que neste caso não é o caso. O sucesso aqui é das “crianças grandes”, como a Maria, a Eliane e Eliel, que finalmente puderam dizer “presente”, “tô aqui ´fessora” [eu falava assim, e sempre era o número 2 na chamada] ao participarem do programa de Educação de Jovens e Adultos, o EJA.

A Maria Maciel tentou a vida toda estudar. Digamos, assim, uns 70 anos. O pai não deixou e foi empunhar a enxada na roça. Quando casou, a ignorância do marido impediu. A Eliane, quando guriazinha, o pai também tirou o lápis das mãos e colocou a enxada. Ai vem a vida e tu que lês isso sabe bem como é. O Eliel, quando menino, teve meningite. Não sabiam muito bem como lidar. Atualmente, os três, dividem a sala com tantos outros – aqueles da tal estatística brasileira.

A foto em si já estava lá. Bastava ouvir e sentir. Queria um retrato, um sorriso, uma alegria, o prazer de entrar na escola. Foi emocionante – as pessoas, o vigor, a força de vontade e vitória.

Como mencionei no início: têm histórias que são para serem compartilhadas e essa deles foi uma que valeu a pena registrar. E, por fim, o Zé Carlos fez questão de mencionar que a coluna (daquela semana) também foi dedicada a todos os professores  “que acolhem gente grande que se perdeu da escola. Saudações em especial às educadoras Maria Lídia Cruz e Márcia Hampe Mafra, da EJA da “Boleslau Falarz”. Que bonito é”.

Se você também acha que eles são vencedores, compartilha aí. Fique bem e até o próximo!

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