Do Arquivo | Minha Cidade, meu Coreto

A praça era ‘o local’, ‘o point’ de encontro antes do advento dos shoppings. O espaço da socialização de antigamente. Famílias levavam suas crianças para brincar – tomar um sorvete, correr atrás dos pombos ou ao redor da fonte luminosa. Tinha a paquera e o flerte dos jovens. E nas praças geralmente tinha um coreto. O coreto também cumpria um papel social.

Cresci numa cidade do interior e ainda peguei uma parte desse contexto social. Não cansava de correr ao redor da fonte luminosa – obviamente caí dentro. Havia um coreto bem elegante, com um piscina de água. Era bem plural com todo tipo de apresentação. Desde as mais tradicionais como as bandas de fanfarra, os políticos, aos sertanejos com as modas de viola – 12 cordas obviamente. Também abriam espaço para os poetas, para os malucos, para a mulecada do rap e do rock. No meio da semana, como não rolava nada, era o ponto de encontro antes da aula. Hoje, nessa praça da minha juventude , acredite, tiraram tudo isso – até os bancos – e transformaram num estacionamento.

Fotografei alguns coretos enquanto cumpria pautas diversas no jornal. Alguns ainda resistindo no tempo e espaço da modernida. Um charme esse na praça da cidade de Campo Largo. Até risquei algumas ideias para montar um projeto. Mas aí as viagens não foram rolando e acabou engavetado.

MINHA CIDADE MEU CORETO (2014) Coreto na cidade de Campina Grande do Sul, região metropolitana de Curitiba. O coreto esta localizado na Praça Munhoz da Rocha instalado em 1952.

Não se trata de uma pontada de saudosismo, mas acho que seria legal resgatar os coretos [*]. Colocar os jovens para se apresentarem. Como está uma onda vintage e saudosista, aproveita e retoma esses espaços. Deixa os poetas recitarem suas aflições emocionais – verdadeiras ou inventadas – abre espaço para o pequenos grupos de teatro, deixa as bandas tocarem, cria uma palco, coloca algumas cadeiras. Precisa de política. A(s) secretaria(s) de Cultura poderia elaborar eventos, festivais, semana do artista, atividades nesse gênero.

Coreto de Campo Largo. Imagens para artigo da revista Haus sobre coretos. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

[*] – Em Curitiba, o coreto localizado no Passeio Público voltou a funcionar justamente nesse sentido de resgate espaço. Agora é “Coreto Digital” com mostras de vídeos de artistas, filmes clássicos e toda uma programação digital. A capacidade é de 100 lugares. Muito boa ideia!

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