Vencer a resistência

Fotografar é fácil, o mais difícil é saber o que fazer com as fotos. Expressei sobre isso esse dias. Pertinente, e justamente por isso acredito ser necessário acrescentar uma outra peculiar observação no que diz respeito. Algo que acontece em todas as áreas. Chama-se resistência.

Quantas vezes você teve uma ideia e não a colocou em prática? Quantas vezes colocou em prática, mas não finalizou? E cá entre nós, vários são os motivos que elencamos para justificar esse comportamento.

Todos os dias da minha vida travo uma luta. Luto contra meu estado de sonolência pela manhã (sou mais noturno), luto pois há um resistência para assistir às aulas online, existe algo que tenta me distrair para não finalizar a leitura, meu corpo e mente pedem para não sair fotografar, para não desejo trabalhar ou escrever (aqui), há um niilismo forçando o pensamento para solucionar alguns problemas da vida e, assim por diante. Há algo que breca, que faz querer desistir; aliás, nem querer começar. Algumas batalhas eu perco, mas a guerra contínua.

Mas há um meio que ajuda muito. Ele se chama movimento. Colocar-se em movimento é imprencíndivel para fazer algo. Aquilo que é comum chamar de o “primeiro passo”. Você conhece de cor e salteado isso. Pois bem, nesse estado que precisa ser vencido, coloco-me de prontidão e vou, começo, faço, tento, erro, recomeço, xingo, retruco, praguejo. Entretanto, tal como o discípulo que questionava, porém não perdeu a fé e, por vezes fez mais do que muitos tementes. Eu me convenço de fazer.

No ouvido um sussuro: “Mas para quê?”.

Descobri que quando você não possui uma resposta para essa armadilha mental, a chance de fracasso é iminente. Justamente nesse ponto é importante saber o que fazer, ter um propósito para as fotos que faz. E isso serve para todo o extrato criativo. Isto é, saber dar vazão e existencia. Seja para as poesias que sentiu, para as reflexões que transformou em texto (artigo, livro, publicação), para a série de fotos feitas com o celular (uma mostra, um livro, um ebook, um ensaio, uma publicação). Enfim, fazer.

Não há certezas, apenas oportunidades*

Uma anedota: Não pretendia sair de casa, especialmente à noite. Para enganar minha má vontade, alinhei ao fato da necessidade de ir ao mercado. Por volta das 23h e mais um pouco, chegou uma mensagem no celular.

– Ainda está no mercado? Que horas vem para casa? Minha resposta imediata foi um take de vídeo – no qual encaminhei – numa espécie de prova.

– Estou fotografando um lance aqui. Daqui a pouco chego.

Acredito que eu era o único maluco, com câmera e tripé naquela noite em toda cidade. Acabei por retornar para casa, por volta das 01h. Com as compras e algumas fotos.

Naquele dia, saí com uma missão – além da lista do mercado – cumprir pelo menos dois itens (fotos) da minha lista de fotos pendentes. Consegui algumas a mais para compor a nova série que estou a elaborar. Levei para o campo de batalha contra a resistência, fazer fotos noturnas.

Sabe aquela voz? Ela aparece nesses momentos. Diz: “você é um idiota. Está na rua, no frio, sem ganhar nada. Você é burro… O que você vai ganhar com isso? No máximo resfriado, dor de garganta” . Nossa, ela é insistente! Bem, pelo menos no quesito ficar ruim ela acertou. Sinusite total no dia seguinte.

A dúvida emerge, pois na rua a essas horas fotografando não parece muito inteligente mesmo. A menos que você saiba o que está fazendo e pretende obter. Logo, prefiro rebater toda o questionamento com a vocação, com a insistência mesmo. Esforço-me para acreditar nesta coisa da vocação profissional, afinal, é o que eu sei fazer melhor ultimamente. Tenho uma proposta é quero cumpri-lá. Começar, executar e finalizar.

Por fim, digo isso para reforçar que antes de fazer algo propriamente, você vai ter de ir buscar, garimpar, extrair. Vai precisar se movimentar, sair da zona de conforto, vencer a resistência. Não há outra maneira. E nem que seja à noite.

A atitude da decisão de vencer a procrastinação é uma espécie de despertar. Mas é preciso cuidado para não esmorecer no caminho. São atos. O primeiro é pensar, o outro é o agir (produzir, criar). O terceiro é o materializar (fazer existir).

Em fotografia não seria diferente. Uma vez aprendi que força de vontade não é muita coisa. O que faz a questão acontecer é a disciplina. Mas isso é papo para outro post.

V no filme V for Vendetta – Guy Fawkes

Fiquem bem e até o próximo post!!!

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