Do Arquivo | Fotojornalismo e fotodocumentarismo nas eleições

De um post no Instagram – Apuração, dados, pesquisas, especulações, embates ideológicos, paixão militante, e a esperança de melhoras por representação. Eu tentando transformar tudo isso em imagens. Como aprendi a ver e fotografar um pleito. #eleições

Como o assunto quente do momento é eleições (ainda estamos no rescaldo), o resgate para o Do_Arquivo é um apanhado de como eu observei alguns pleitos. Foram alguns poucos anos (2010-2018). O envolvimento foi tamanho que passei a acompanhar eleições de diversos lugares. Não demorou muito para também nascer o interesse por entender e cobrir outras eleições (outros paises).

A ideia era buscar algo dentro do próprio sentido de uma eleição, no ethos do processo e da estrutura. Por isso, não menosprezava nada. Tudo é parte desse grande ato da democracia. Observava como um fenômeno, tentava extrair as facetas e idiossincrasias. O foco não era o manequeismo político, não importava o vencedor, mas sim as nuances do jogo.

Enxergar o processo eleitoral foi uma questão evolutiva. Abstraí as convicções juvenis (mas até hoje voto nulo) e parti para tentar encontrar uma lógica em tudo aquilo e, consequentemente, nesse corpo chamado Democracia. Aliás, melhor, desvendar em imagens não só os bastidores, a estrutura; e sim encontrar uma certa beleza, uma estética para a a fotografia que conta a história de um envento importante para qualquer nação: a eleição. Era uma busca. Errei algumas vezes, errei outra, mas também acertei algumas.

Para falar a verdade até encontrei certa beleza em tudo aquilo. Descobri a evolução histórica refletida em cada função, em cada procedimento, especialmente no anseio do povo. E conforme a estética (ou eu) evoluía, também consegui ver mais e maia a fundo. O esforço de um servidor, a mise-en-scène dos candidatos, o fervor e esperança dos eleitores.

Abri a mente e busquei outros significados. Até o ponto de perceber a singeleza de um santinho de um candidato acompanhado com um bilhetinho escrito à mão. Era algo mais que só uma política, que cargos ou funções.

Fechando por aqui – e o projeto

A busca foi intensa e a coisa toda acabou ganhando corpo e tornou-se um projeto fotográfico (em parceria com o Marcos Xreda). Rendeu exposições e publicações. E muita conversa fiada.

Nesse tempo, conversamos com políticos, com especialistas, com militantes, apoiadores, críticos, sonhadores, descrentes. Teve vezes que fomos bem recebidos, outras vezes confundidos – às vezes era difícil explicar que fotografamos todas as partes, todos os elementos desse movimento que é a busca da representação (leia também o poder) por meio das eleições.

Milhares de imagens depois (pena que não há o espaço por aqui), com um entendimento mais profundo acerca de certas paixões – e alienações –, extrai uma síntese disso tudo.

Pontuei muita coisa – boa e ruins. Houve elogios e críticas – às vezes sutis – afinal, é a busca pelo estado de arte. Obviamente faltou muita coisa. Vai que ainda arrisco outras formas de olhar

Por fim, foi um grande aprendizado e lição. Digo isso porque podemos ter diferenças, ideologias, carregar bandeiras diferentes, acreditar em Fulano ou sicrano – ou mesmo não crer – porém, com coerência, com respeito. A intolerância não deveria fazer parte desse processo. Não é um fim, mas um meio para sermos sociedade civilizada. E se é o melhor que temos para hoje, porque não deixar mais interessante.

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