Abismo criativo – entre o criar e o realizar

Criatividade é um tema recorrente em diversas gamas de atividades, assim como as abordagens acerca da sua aplicação. Aliás, o termo foi abdusido para quase tudo. Criatividade é a estrela guia, o desvio padrão, desde áreas metódicas, racionalistas às criativas propriamente. Ser criativo no meio corporativo, por exemplo, tornou-se exemplo de padrão comportamental. Mas, será que a criatividade em é o fim em si?

De forma geral, ser criativo é ter a capacidae de criar, de inventar, de fazer coisas inovadoras, de remodelar. Na atualidade, diante de tudo que já existe, é ter a a capacidade de olhar para as mesmas coisas, as mesmas necessidades ou problemas que outras pessoas, mas de uma forma diferente, de um ângulo diverso. Ou seja, é uma forma de ver, analisar e propor soluções.

Tão lindo, lindo, mágico, fofinho, todavia, devemos acrescentar uma observação realística. Daquelas que são para pensar, que quase passa despercebida. Indo direto ao assunto, ser criativo não é sinônimo de resultados. Aliás, boa parte das pessoas criativas que conheci foram extremamente usadas, manipuladas. Ou seja, usadas para que se cumprisse os objetivos de outros. Sabe por quê? Pelo simples fato de um criativo ter pouco (ou às vezes nenhuma) capacidade de realizar o projeto no seu todo.

Calma! Não fique desapontado comigo, pois não estou falando isso só para chamar a atenção ou leviano. Apenas quero apontar que, muitos pessoas talentosas estacionam no passo do imaterial. Bem no início no plano das ideias. São pessoas magníficas que gostam disso. De ter ideias somente. Mas, às vezes, estacionam nessa etapa do processo ou ficam dependentes de outros fatores (pessoas) para colocar a própria ideia em prática. Criatividade deve ser o meio, e não o fim.

Eu tinha uma vaga percepção sobre isso. Percebi esse detalhe ao longo do tempo. Colecionava ideias, folhas e folhas nos blocos de anotações, insights e tudo mais. Porém, pouca capacidade de idealizar e concretizar algo. Simplesmente não trazia plano o plano da realidade. Então, percebi que há um longo caminho, um abismo gigante a ser vencido em relação ao ponto primário (da ideia criativa, por assim dizer) ao realizar e, por fim, colher os resultados.

Está soando meio papo tiozão, mas lembrei de algo que coincide ou pelo menos esbarra um pouco nessa nossa abordagem. O texto “O que aconteceu com a geração Y” fala pontualmente de uma galerinha que acha que está apavorando, mas não está. Trabalha ‘pra caramba’, é cool, joga videogame ou sinuca na empresa, veste roupa colorida, mas ganha pouco e conquista quase nada. São explorados na verdade.

Esse apontamento, utilizando um tema comum que é a tal da criatividade, é para fazer pensar mesmo. Não dá para alugar (barato) o seu talento e, com o passar dos anos, você descobrir que não fez nada concreto – para você e por você. Sério! Reflita sobre isso, especialmente você que está começando na carreira.

Vire o jogo. Alinhe criatividade e resultados

Esforce para ser criativo, mas também precisa ser fundamentalmente um iniciador. Isso aqui peguei do livro ‘Quebre as regras. Reinvente’ – qual foi a vez que você fez algo pela primeira vez?’ do guru do marketing e afins, Seth Godin.

Iniciador, segundo ele, é aquele que começa algo, que toma a iniciativa, faz as perguntas necessárias, põe a mão na massa, começa o projeto efetivamete, concretiza a coisa toda. Aquela papo reto, conceito óbvio demais. Mas porque negligenciamos.

A natureza criativa dentro de qualquer projeto permeia processos como o insight, a ideia, a incubação e maturação, revisão, a troca e a intercambialidade, tranversalidade criativa, e fluidez, tentativa, erro, assim por diante. Contudo, também é preciso saber migrar para outros etapas, especialmente para a materialização. Precisa vir a existir enquanto uma ação, enquanto um produto ou serviço, enquanto algo para ser consumido ou apreciado. É simples: você precisa tirar do papel.

Criativo-inerte e o Criativo-iniciador

Agora que você sabe que pode ser criativo (e se gabar disso), mas que também pode ser um sujeito que não produz nada. Logo, vale o esforço para ser um criativo-iniciador. Ou seja, aquele que começa algo, efetiva.

Maturei essa questão por alguns anos. Tive a sorte de ser levado para esse tipo de comportamento. Não é fácil, porém me esforço para ser alguém que começa algo de verdade. Para tal tive de pensar um esquema, um caminho um processo. Foi aí que cheguei na concepção do materializar. Inclusive, percebi que quando fujo a esse modelo, as coisas não fluem – no sentido do resultado. Fico no campo criativo do pensar, preencho folhas inteiras do bloco de anotação com ideias, sugestões, mas pouca coisa vem para o mundo real. Agora já inicio pensando na etapa do fazer e do materializar.

Particularizando, nestes últimos anos descobri que não era necessário um jornal ou revista me chamar para ter uma foto publicada. E olha que nem tinha essa coisa de “somos a mídia”. Se eu fosse esperar alguém me convidar para fazer um livro, estaria sonhando até hoje. Compreendi que poderia ser feito e coloquei-me no caminho para realizar. Diante de nenhum telefonema me convidando para montar uma exposição, eu fui lá e fiz uma. Se não te abrem a porta, crie uma ou pule a janela.

Com o tempo isso vai se solidificando e criando uma relação causal entre criatividade, iniciação e a busca pelos resultados. Mas, pode ser que tenha pessoas que precisem de aceitação, de supear o conceito de erro, de vergonha, de aprovação ou mesmo terem o hábido só de serem escolhidos. Supere isso!

Para fechar, pondere sobre o poder do seu talento e o que você pode criar verdadeiramente. Estique a criatividade ao campo do criar e das outras etapas. Logo, comece seu projeto, sua ideia, sua propsota, mas faça ele ser visto. Se for de fotografia, comce. Pense uma exposição fotográfica – e faça ela acontecer. Imprima seu livro, seu zine, seu photobook, distribua, envie pelo correio, venda. Angarie para outras ações.

Dia desses vi o trabalho de um guria. Fazia ilustrações com um pegada bem dark. Sensacionais, muito bom o traço, a pegada ilustrativa. Fiquei pasmo diante do talento dela. Conversamos e perguntei onde ela vendia ou colocava tudo aquilo. Ela não acreditava que poderia vender. Falei para ela tentar e deixar o julgamento para os outros. Na pior das hipóteses alguém poderia gostar, comprar ou chamar ela para fazer um trabalho, sei lá. Vai que dá certo. Não mate seu talento. Faça valer a sua ideia criativa. Mas, acho que isso é asusnto para outro post!

Fique bem e até o próximo post!
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Até o próximo post

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