Fotógrafo referência – Robert Frank

O fotodocumentarismo moderno não seria o mesmo depois do livro “The Americans”. Um dos livros mais influentes editados pós 2ª Guerra Mundial. Basicamente um divisor de águas, redefinindo a fotografia e o fotodocumentarismo. Caso não tenha ideia do que estou falando, trata-se do projeto do suíço Robert Frank, que entrou num Ford, munido de um bolsa cheia de filmes, duas câmeras e pelo que consta algumas garrafas de bebidas. E com isso ele se propôs a fotografar a América.

Leva certo tempo para digerir o trabalho de Robert Frank. Numa olhada rápida, para os descuidados, a estética não chama muita atenção, mas trata-se de um registro fotográfico singular. Na primeira camada você encontra a realidade mas quando você adentra encontra pessoalidade, intencionalidade e seletividade de um olhar apurado e crítico.

Cada foto – e o conjunto do trabalho em si – tem uma mensagem em si. Não só pela natureza polissemica, pelo tempo ou mesmo por interpretação. No tocante do The Americans, tão intencional que você pode perceber logo na capa que se trata de uma crítica pungente ao modelo de vida norte americano. Aquele sonho americano que não é tão sonho. Aquele “way of life” não tão glamouroso.

Robert Frank rodou os Estados Unidos e mirou a câmera para o ser humano que ali inserido. Capturou a diversidade e as idiossincrasias da vida americana. Nessa jornada incluiu anônimos, ricos, pobres, negros, pessoas em suas rotinas, enamorados, elementos de referência como jukeboxs, driveins, postos de gasolinas, carros e tudo mais da vida contemporânea estadunidense. Trata-se de uma complexa narrativa que perpassa pelas trivialidades de um cowboy com seu cigarro, mostra a indiferença num drive-in e também questões mais profundas como a segregação racial.

Robert Frank morreu em 2019, aos 94 anos. Dividiu-se em ser cineasta e fotógrafo. Tinha aquele ar de incoformista, e um tanto que crú e rebelde, importantes ao bom fotógrafo. Sua fotografia preto e branco, granulada e feita no melhor estilo espontâneo, foi em contradição com o modelo da epóca – foco, nitidez, iluminação e composição quase acadêmica. Fora sua linguagem que não agradou os puritanos, o trabalho “Os Americanos” não foi bem visto pelos americanos e acabou sendo publicado originalmente na França.

Tenho Robert Frank como referência pelo simples fato de realmente ser muito bom. Essa coisa da instantaneidade, da agilidade e de manter o estado de arte nas entrelinhas. Numa comparação abstrata com a música, diria que ele foi como o The Ramones. Simples, direto, criticados; mas que, de uma forma ou de outra, acabaram influenciando e ganhando respeito de muita gente. Geralmente é assim com os gênios.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s