Do Arquivo | Peço muito ao desejar que as coisas mudem?

Já se foram 11 anos desde quando fiz essa foto. Não recordo ao certo o motivo, mas acredito que era uma saída fotográfica de um curso de fotojornalismo. Enquanto caminhava na Rua XV de Novembro, bem pertinho com a Rua Dr. Muricy, no centro de Curitiba, o catador de reclicáveis passou carregando seu carrinho. Na gaiola, junto a tudo aquilo que a sociedade se desfaz, oriundo do seu consumo e que iria ficar ali na natureza por dezenas de anos, uma criança. Seguia ali dividindo espaço com as coisas que para uns não tem o menor valor e que para esse rapaz vai ser o ganha-pão. Observava inocentemente tudo ao seu redor. Bastou um olhar para me acertar.

Mais de dez anos se foram e você vai encontrar a mesma realidade. Repetições desse recorte fotográfico no tempo-espaço. Ainda há crianças acompanhando seus pais nas ruas, morando debaixo de viadutos, pedindo dinheiro, sem crechê, sem escola, sem estrutura. Há quem diga que é coisa de cidade grande, de “gente que não trabalha”, de pais irresponsáveis, e coisas desse tipo. Um discurso pernicioso, oriundo de simplismo, pois sabemos que os problemas sociais, econômicos, estruturais e de classe, são bem mais profundos nesse país. Fato, a(s) solução (es) não são tão simples também; passaria por diversos espectros e nuanças, diferente do que se arrota especialmente em tempos de campanha e afins. Não é que não faça, que lute ou promova mudanças, mas o problemas parece mais profundo e difícil. Aliás, parece que chegamos a um pouco que nem há o desejo que isso mude.

Por fim, falando em anseios, não me custa custa desejar o melhor, desejar que as pessoas tenham casa, renda, trabalho, que as crianças tenham escola e condições de crescer longe da vulnerabilidade e dos problemas. Sonhar que possa realmente ocorrer mudanças na sociedade. Não podemos deixar de pensar assim, de ter empatia, de sonhar com algo que seja até mesmo meio de utópico. Ou dia desses, quando você se deparar com uma criança te olhando assim, vai arrotar que eles merecem estar onde estão ou que são apenas parte do lixo. Cuidado!!!

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