Fotógrafa referência – Diane Arbus

Mais que necessário falar e revisitar a obra dessa fotógrafa. Falo de Diane Arbus (1923-1971), uma das mais interessantes fotógrafas norte-americana . Seu trabalho e legado e declarações – visto que escreveu muitos diários e gravou testemunhos comentando sobre sua fotografia e processo – tornou-se ímpar, visto e respeitado no mundo inteiro.

Diane Arbus é para mim um dos mais emblemáticos exemplos de que a fotografia é algo muito potente, enigmático, psicológico, social e também libertadora e reveladora. Vê-se o mundo (realidade objetiva e também subjetivada) e vê-se a sim mesmo.

Pasmado por ela, pela sua visão de mundo, por seu estilo fotográfico. E, não somente por ter na fotografia seu modo de expressão, mas por ter rompido com cânones sociais, pessoais e da própria interpretação da realidade no âmbito da fotografia. Toda uma idealização (de belo, de aceitável, de natural, do que é certo) é posta para reflexão por Diane.

Ela fotografava aquilo (pessoas) que era estranho ao senso comum. Contudo, o mais importante é que a abordagem e significação que ela deu. Ou seja, tratou àqueles que fotografou com um ar de respeito. Não era simplesmente o “freak” pelo grotesco, mas sim a

dignidade. Suas fotos sempre posadas, com permissão, com a convenção. As pessoas tem a consciência de posar. Há todo um respeito (na norma do retrato frontal) com seus fotografados.

Segundo Fernando Braune, “não há fotógrafo que, em algum momento, não tenha empunhada a sua câmera na compulsão de flagrar um assunto de total estranheza para ele”. Há uma tendência, talvez até inerente ao contexto histórico e social da fotografia, de fato, até meio inconsciente, de buscar o adverso.

E Diane soube explorar essa subjetividade, jogando aos nossos olhos o contraste daquilo que resolvemos não encarar. Em especial, a marginalização e estigmação, visto que fotografou homens, crianças, velhos, anões, pessoas fantasiadas, travestis, deficientes, exlcuídos, que de algum modo, fugiam aos padrões normatizantes. Explorou o “mundo marginal” sem crítica às pessoas, mas a um sistema que os excluía – independe das condições sociais e financeiras que estavam inseridos. Todo o peso das “doenças” não estão neles. As anomalias somos nós

Tenho convicção que foi uma mulher iluminada, extraordinária, misteriosa, portadora de uma sensibilidade incrível. Tanto para ver o mundo, quanto para ver a si nesse mundo deveras estranho.

O que eu tento descrever é que é impossível sair da sua pele e entrar na pele de outra pessoa. E é tudo um pouco sobre isso. Que a tragédia de alguém não é igual a sua tragédia.” (Diane Arbus, 1970)

O filme “A Pele” ficciona acerca da vida – em especial quando ela era asssitente de seu marido na produção de imagens publicitárias – mas, conforme escreveu o crítico Pedro Butcher, numa resenha no jornal Folha de São Paulo (2007), o filme ficou muito áquem do que Diane Arbus é e representa. “Ainda ficamos na espera, portanto, de que Diane Arbus ganhe um filme à altura de suas fotografias, líricas, perturbadoras, fascinantes”.

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