Paralisia criativa

Nessas conversas de passar o tempo, um colega comentou que se sentia vazio. Não estava prestando para nada criativo. Não era algo pessoal, mas puramente relacionado ao trabalho. O assunto colou em mim e arrisquei algumas ponderações sobre essa “sensação” acometida, principalmente nesses dias de pandemia e desse estado suspenso.

Ser criativo tornou-se quase uma obrigação, um fardo a carregar por quem atua em áreas principalmente de criação de conteúdo, artes, gestão e afins. Parece que tudo no mundo agora é criativo. É criativo aqui, criativos dalí. Busca-se pessoas criativas, inventivas, que saibam lidar com problemas, e toda uma busca por um ser.

Mas, nem todos os dias é de pesca farta no oceano de ideias. Há os momentos de total excasses. E logo surge a pergunta: que fazer com este momento de poucos insights? Falo de produção, de criação, da inventividade da matéria-prima de nossos projetos.

Esses momentos de pouco potencial criativo são tão comuns quanto os dias de ideias produtivas. Convenhamos, não é todo dia que a gente acorda à la Steve Jobs ou abstraindo o universo como Einstein ou Stephen Hawking.

Algo breve sobre criatividade
Primeiro acho que devemos ter um parâmetro sobre tal de criatividade, pois ela pode ter vários direcionamentos. Além de ser a capacidade de fazer coisas inovadoras, gerar melhorias, para Ferreira, Santos e Serra (2010), a criatividade pode ser considerada a capacidade de olhar para as mesmas coisas, as mesmas necessidades ou problemas que outras pessoas, mas de uma forma diferente, de um ângulo diverso. Ou seja, é uma forma de ver, analisar e propor soluções.

Também não é algo exclusivo, dado pelas deuses a designers, músicos, artistas, criativos e ou a essa turma que troca estado mental por mindset. Todos nós a possuímos. Mas, “criatividade se adquire com prática”, segundo Brad Hokanson, da Universidade de Minnesota.

Criatividade não é só um estado, mas uma busca. Habilidades que podem ser aquiridas, mensuradas, exercitadas, evoluídas. Ver (e fazer) até você realmente ver (e ter).

De repente, podemos partir dessas pontuações, visto que não há uma fórmula, afinal, cada um pode criar e ser inventivo com suas próprias características. Ademais, a criatividade, segundo as mais gerais das sugestões, pode ser encorajada, fomentada, estimulada e afins.

Porém, um ponto que eu acho interessante é que, segundo especialistas no assunto criatividade, no que tange a falta dela está muito associada com um visão de mundo limitada.

Mas como esse texto não é para pensar sobre a abundância dela [criatividade] e, sim a falta, nada mais restritivo do que os tempos que vivemos. O advento advento da Covid-19, com todas suas implicações (financeiras, de sáude, econômicas na sociedade, social e lazer, etc.), pesou para esse sentimento de apatia como o do meu amigo. Mas, isto não é de todo mal e pode ser fruto só de um um tempo ou de uma mudança comportamental como veremos.

» Ver a cidade em tempos da Covid 19 – pela janela do carro

Na Fotografia
Em fotografia, esses momentos de pouca inspiração também são recorrentes. A sementinha das ideias não brota e as coisas tornam-se repetivivas, pouco incorpadas ou quase não prestando a nada.

Por exemplo, desde março eu não produzi mais nada que fosse realmente valer para alguma coisa – no sentido que defendo em idealizar, produzir, materializar e publicizar. Apenas coisas esparsas e sem muito potencial. Nem no campo dos projetos pessoais ou de trabalhos remunerados. Foi uma total seca.

Porém como podemos nos safar desse marasmo, dessa inércia pouco promissora?

Leve na boa
Numa breve pesquisa você encontra textos, cursos, dicas e toda uma gama de possibilidades de “destravar esse bloqueio”. Mas, antes vale reforçar uma questão desse processo e busca. Também muito reforçada pelos especialistas e teóricos. Falo da necessidade de dar um tempo. Ficar “offline”, como destacou Carlos Maciel no artigo “7 maneiras para aumentar sua criatividade”

O próprio “tempo off” também faz parte do processo em si. Anos atrás foi muito comum citar o tal “ócio criativo”. O termo estava em voga e vários livros foram lançados, cursos, palestras. Lembrando que a questão do ócio parte originalmente do matemático Bertrand Russell.

Logo, a primeira sugestão acredito que seja mesmo essa. Dar tempo ao tempo. A atitude vale, os exercícios também, assim como ter métodos e processo, mas é precisa aliviar a cobrança de si mesmo.

Ademais, esse tempo serve para o preparo do terreno. Não há tempo perdido, somente tempo mal aproveitado. É o tempo da maturação. Às vezes, uma ideia precisa de solo fértil para gerar frutos. E um estado de preocupção, ansiedade, excesso de negatividade, só trava ainda mais.

O resto é o de praxe como sair da rotina, ler, explorar outros caminhos, consumir contéudo; inclusive, fora do seu padrão, praticar algo que eleve seu entusiasmo, essas coisas que você está cansado de ler por aí.

Por fim, precisamos ser criativos, pois é uma demanda em todos os campos. As ferramentas (e mesmo toda tecnologia) até dividem esse espaço no processo imaginativo/criativo, mas não resolvem. Este espaço é maravilhosamente nosso. Por isso, hoje, entendeo que essa “falta de critividade” é algo tão normal e, por vezes, essencial também. Assim como o erro, que não existe propriamente, mas apenas como parte de um processo em si. Mas, enfim, esse é assunto para outro post.

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Fiquem bem e até o próximo texto!!

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