Do Arquivo | Um novo futuro. Será?

“Ele demora um ano / Rodando o sistema solar /Ele demora um ano/ Mas volta ao mesmo lugar”, diz o trecho inicial de uma música da banda gaúcha Os Replicantes. A metáfora é que o mundo gira, gira e volta no mesmo lugar. A gente sonha com coisas diferentes, com mudanças sociais, com novas políticas, mas a coisa toda desanda e parece que retorna para um estado de retrocesso.

A luta pelo poder é feroz. Se necessário, políticos vão mentir, persuadir e mamar do sistema até não poder mais. Estados políticos tem o propósito de atender uma demanda dominante. Não importa o “ismo” que você coloque como sufixo. A publicidade vai tentar de hipnotizar, brincar com suas emoções e lhe incurtir desejos – reais ou não. É o sistema, é o establishment, no qual somos reféns de um comportamento consumista, alienante e, por vezes, extremamente egoísta.

Enquanto isso, na outra esfera, àquela do povo, as coisas mudam muito pouco. Uma pessoa, em situação de rua, dormia no chão – se é que podemos chamar isso de dormir – alheia que atrás havia uma instituição bilionária. Não estou aqui para julgar, só para fazer pensar e para falar de empatia. Poderia ser um parente meu, seu(a), um conhecido. Poderia ter tido casa, trabalhado, feito mil coisa, não sei. Mas, naquele momento estava ali, alheia a tudo, e com tudo alheio a ela.

Faz tempo (2013). Nunca mais a vi. De repente se recuperou, oxalá! Mas como mencionei refletir, diga, o que de tudo isso mudou. Quantas pessoas ainda estão nas ruas, sem casa, sem política, sem condições, sem vontade também. E, atualmente, parece que as pessoas não ligam mais. Não se importam. Dizem: “ela é a única culpada”. Será?

Tornou-se tão banal (principalmente nos grandes centros) que até para a fotografia isso acabou clichê. Em fotojornalismo era comum esse recurso (linguagem) de relacionar pessoas com algo que fizesse um contraponto, uma relação por contraste. Relação figura-fundo, segundo os teóricos. Agora é muito clichê ou as pessoas nem dão bola por tão comum. Fiz muita coisa assim, principalmente quando estava aprendendo fotografar nas ruas e estudando linguagem. E nesse caso, não pude deixar de olhar para essa senhora, com um banco atrás, vendendo sonhos, sugerindo que um novo mundo estava emergindo. Será?

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