Single Shot | Mil noites furtivas

Todas as vezes que saio para fotografar à noite, penso nas fotos como uma correlação da série “Iluminados”. Fotos em períodos opostos (dia/noite), concomitantes, pois não se opõem em si, apenas se complementam com o jogo de escuro/claro. 

Quando fotografo nesse horário, beirando o precípio da madrugada, acabo me lembrando dos contos de Dalton Trevisan. Aquele dos clássicos “O vampiro de Curitiba”, “A Polaquinha”, “O maniaco de olho verde”, entre outros tantos com contos humorados, de uma crueldade e instintos reprimidos. Apesar de ter gosto por Rubem Fonseca, mais do que necessário o poder da síntese humana de Dalton.

De volta à questão da fotografia, posso dizer que fotografar à noite tem sua magia, desafios e mistérios . Tudo é fugitivo. As pessoas não se exibem; pelo contrário, há uma vontade de ocultação inerente, uma neorose, desde o mais ladino ao mais cândido dos seres. E, não porque simplesmente o fazem, mas pela natureza da escuridão que só um momento fugaz de iluminação pode revelar. Acho que é uma metáfora da instantaneidade inerente ao processo fotográfico.

À noite, uns estão à caça, outros estão para presas. 

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