A arte Oculta da Fotografia – e que deveria ficar assim

No fim de semana passado reservei um tempo para ler uma série de artigos sobre fotografia. Um, em especial, chamou atenção. Aquele tipo de texto que é uma epifania, que te faz viajar e ver além.

Um trecho do artigo levantou a questão desse nosso hábito de discutir a fotografia somente e a revelância que damos em explicar a fotografia, o equipamento, o sensor, a lente, o aparato, ou seja, todo esse lado tecnicista. Esmiuçar e revelar toda essa parte do fazer, da prática, do saber de como a foto foi feita.

Um fenômeno até meio que natural diante de uma arte que envolve esses aspectos tecnicos e artísticos. Porém, que coloca em menor escala um outro ponto extremamente importante que o fato da interpretação.

Esse breve levantar do assunto abriu minha mente para divagar sobre o assunto. Interessante e deveras pertinente, pois é de se pensar que o fator interpretação, o fator educar para a leitura da imagem – ou melhor – a liberdade desse ponto, fica menos evidente.

O charme do oculto
Pois então, realmente precisamos abusar desse aspecto da revelação. Será que tudo deve ser explicado em dicas, vídeos de Youtube e tutoriais. Falamos muito sobre esse contexto técnico e mastigado da fotografia. Aliás, abunda blogues, canais, vídeos, tutoriais, com fórmulas e explicações de como lidar com a fotografia atual. Até compreendo que é uma necessidade diante de algo tão vasto – até mesmo complexto – não se engane com a banalidade e popularidade – da fotografia atual. Esse abordagem, querendo ou não, empobrece a arte fotográfica no seu sentido mais restrito.

Um artista ao pintar um quadro não sai por aí explicando qual foi sua técnica, qual tinta usou e tentando te ajudar a interpretar a obra. Esse é um caminho que se destina ao expectador.

A natureza da arte envolve muitas coisas. Porém, em especial o fato de você interpretá-la e seguir uma caminho que a sua construação de vida, cultural e de experiência possa proporcionar.

Então, poderíamos dizer que a gente explica muito a fotografia. Esmiuça o processo criativo e deixa pouco espaço para a leitura que cada um possa fazer. Pois, quando revelamos a natureza por trás da arte, a materialidade do fazer, entregamos o tempero mágico que fez aquilo ter o status que tem. Você não vê com frequência os fotógrafos grandes mestres mostrando como foi que fizeram isto ou aquilo. Parece que isso é algo de quem tem de provar algo ou não sabe o real teor do que anda fazendo.

Um mágico não revela seus segredos.
Não estou dizendo que devemos abolir, parar de ensinar – ou ser companheiros com quem está nos primeiros passos da fotografia – longe disso. O contexto aqui é outro. Aborda essa exacerbação e, o mais importante, o conceito de explorar mais a leitura, a narrativa e o charme do estado de arte da fotografia.

Não tem outra frase melhor. O que faz a mágica legal – até porque depois de crescer você sabe que é um truque – mas ainda continua fascinante porque agora você quebra a cabeça diante da complexidade do ardil do artista.

Para tal, lembrei da obra de Robert Frank, mais especificamente o ‘The Americans’. Um clássico complexo, que vai revelando idiossincrasias da vida americana. Nas foto de Robert Frank você encontra a realidade objetiva, mas também o oculto, num jogo de “ditos e não-ditos” que fica a nosso critério desvendar.

Por fim, tendo isso em consideração, podemos tentar falar menos de como fazer uma fotografia, de como foi o processo, de parar de entregar papinha, e ir para um caminho mais complexidade em detrimento da banalidade. Aprender que precismos deixar algumas coisas suspensas.Entregar uma fotografia [falo de fotografia e não o simplório pictures] mais potente e com a meta de ser reveladora, não de forma direta, mas na forma do assombramento por parte de quem a vê.

 


 

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Fiquem bem e até o próximo!!

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