A Desafio do Retrato [5] – o desafio do Retrato de Rua

Vamos dar continuidade nos artigos sobre a arte do retrato. Este é quinto da série. No artigo anterior, “O Desafio do retrato 4 – je re sais quoi – aquele ‘quê’”, abordei sobre a ‘mágica presença do outro’ e sua relação na natueza de um retrato verdadeiro. O tema da vez é o retrato na rua. Isto é, o desafio de fotografar pessoas totalmente estranhas.


Street Portrait Photographer
A rua é um lugar repleto de possibilidades no que diz respeito à Fotografia. A streetphotography explora muito bem esse cenário, tanto captando a coisa comum e transformando em algo mais extraordinário ou mesmo com uma linguagem mais autoral e contemporânea. Dependendo do tipo de proposta fotográfica, é quase impossível falar de rua, de cidade, da urbs, sem inserir as pessoas.
Fotografar na rua é instigante, porém também desafiador. Tudo está fora do seu controle. Ali quem manda é esse acaso organizado e você é apenas o expectador. No que diz respeito a fotografar pessoas, fora os aspectos operacionais (configurações) ou mesmo de estilo (enquadramento, composição), a questão relativa à abordagem de pessoas parece ser um problema, em especial para fotógrafos iniciantes.
Observei esse ponto quando ministrava um workshop de fotografia de rua. Os alunos traziam imagens com a arquitetura, criavam alternativas para a candidphoto, entre outras, mas quase todos tinham dificuldade de trazer um bom retrato. Quando traziam algo, era muito distante, sem envolvimento ou proximidade. Sem impacto ou contexto – nem sempre é fácil, mas é nossa meta.
Nesse ambiente externo, parece que emerge uma barreira entre fotógrafo e gente desconhecida. Para desmistificarmos ou desmontar esse receio é necessário entender o prinicipal fator motivador para fotografar pessoas nas ruas. Vejamos.
O lado bom é que a rua é imensamente diversificada em pessoas. Há gente de todo tipo: tipos e gêneros. Você encontra jovens, idosos, gente diferente, disruptiva, androgêna, elegante, diferenciada, desconfiados, receptivos. Enfim, pessoas de todas as camadas sociais e culturais. São pessoas reais.
Ademais, além de criar perfis e histórias, é possível criar narrativa sobre o tempo histórico por meio dos retratos com os respectivos signos (posteriormente roupas, estilo, aspectos) que as pessoas possuem.
Isso por si só vale a pena arriscar no retrato de rua. Nesse palco, as pessoas tem muito a contar, tem traços da vida estampados no rosto, gestos, trejeitos, maneira peculiar de agir e de se comportar. Anônimos interessantes para um trabalho fotográfico.
Considero fundamental para quem fotografa a cidade, a rua, em seus mais variados estilos. O único receio que você deve ter é de não desenvolver sua fotografia e voltar com uma boa história para compartilhar.


O não você já tem!
Compreendendo bem o que você pretende fotografar, ou melhor quem, tem de ir para a rua e fotografar. Simples assim, pois é la que estão as pessoas. E, também é lá que você vai encontrar uma coisa inevitável: o não. Inclusive, essa é uma das principais dicas que dou. Acostume-se com o não, com a recusa.
Cheguei a bolar uma dinâmica que faço no workshop para o aluno desenvolver uma abordagem, desenvolver argumentos para conseguir seus retratos. E, é claro, saber aceitar de boa o ‘não’.
Fora algumas dicas práticas, como a velha e boa educação. Dizer com licença, por favor, obrigado, dialogar, entender o outro – mesmo que num lance rápido de rua – ganhe o retrato. Ou seja, peça permissão. Tenha a autorização. Saiba chegar, fotografar, e sair. Eu costumo fazer o retrato posado. Para isso preciso do contato.

[não fotografo sem autorização consesual ou por escrita/áudio. Atenha-se a isso, principalmente para não ter problemas com direito de imagem. Logo, valer ter na bolsa um termo de cessão de direito de uso de imagem].

Resumidamente é isso mesmo. Uma baita clichê. Mas você vai para a rua, recebe o primeiro não, o segundo, o terceiro e assim sucessivamente. Lá para o quinto ou sétimo, já está afinado, o rosto não fica tão vermelho, já não fica emcabulado. Descobre que é apenas parte do processo.


Explore a essência
Como mencionado nos artigos anteriores, explore a essência. Os aspectos técnicos você pode ir afinando com o tempo, escolhendo um estilo ou até mesmo fazendo experimentações com técnicas.
Por exmplo, eu fazia o retrato sem considerar muito o entorno, os elementos de distração como carros que passam, árvores, outras pessoas, e tudo mais que está na rua que você não pode controlar. Depois você começa a enxergar e selecionar (ou não) isso tudo dentro do seu quadro. E isso vale até para a edição e tratamento.
Justamente por isso defendo que o mais importante é explorar esse incomum das pessoas comuns. São pessoas reais, de verdade.
Embora no começo os retratos isolados não digam muito, não subestime. Ao longo do tempo, de uma série, você vai ficar viciado, pois o retrato de rua traz uma experiência diferente com o desconhecido e com possibilidades visuais (os retratos em si) diversas. Vai ser o momento de trazer algo excepcional.
Então, siga para a rua, veja o Outro, as pessoas, interaja, fuja dos padrões, olhe aquilo que poderia passar despercebido, e capture não somente imagens, mas o que as pessoas levam dentro de si. Boa sorte!


Extra – alguns nomes referência nesse negócio de ir para a rua ver o outro

A instigante força e potência de Diane Arbus.
• Joel Sternfeld
• Steve McCurry
• Martin Parr
• Joel Meyerowitz



⇒ Por favor, não esqueça de compartilhar este artigo.
Se puder, comente indicando um outro fotógrafo de referência

Fiquem bem e até o próximo post.

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