Fotografe, sempre. Só temos essa chance.

Pertinente lembrar que fotografia é memória. Simples assim. E, agora, nesse momento de rotina alterada devido aos impactos do coronavírus, vale a reflexão sobre o papel da fotografia para a gente, mesmo a fotografia vernácular. Aquela que cumpre a função da história particular, de feita para rever, para lembar, rememorar nossa trajetória nessa roteiro chamado vida. Então meu amigo, fotografe.

Produza histórias visuais de si e de tudo que é importante para você. E não somente pictures de redes sociais, ticks tocks, ou outros lances efêmeros, falo de narrativas pessoais. Neste momento, de rotina mudada por devido ao impacto do coronavírus. Aproveite o momento intímo para a sua história particular.

Estamo aqui apenas uma vez. Aproveite e conte sobre essa sua passagem. As rotinas diárias podem render boas histórias, mesmo em fotos únicas – single shot. Explore circunstâncias, as coisas singulares, o extraordinário do ordinário. Explore as particulares da sua vida – e momentos – que podem ser para a posteridade. Para outros saberem ou mesmo só para você. A fotografia é um instrumento que lhe permite essa perpetuação.

Aquela foto que você achou não servir para nada, ganha muito peso com o verniz do tempo. Não sei vocês, mas hoje tenho um prazer enorme de revisitar o álbum de fotos. Garimpo as fotos antigas nas caixas, numa espécie de arqueologia iconográfica familiar. Reviver. Função prima da fotografia vernácular.

Certa vez eu fui fazer um retrato de uma mulher para uma revista de arquitetura. Ela quis fazer a foto com a família. A filha adolescente não queria de jeito nenhum – ficou fazendo aquela cara blasé de adolecente de 14 anos. A mãe insistia. Até deu uma chamada na garota. Intervi e contei uma breve história para a guria. Falei que aquela foto não era necessariamente para se exibir nas redes sociais, mas sim que era a história dela. Um dia você vai gostar de ver aquela foto, vai por mim. Falo com propriedade.

Mostrei para eles um trabalho particular que fiz. Eu fotografei minha avó. Tardiamente. Na verdade, fotografei os últimos anos de vida dela. “A última lição”. Intímo na alma. Pois bem, quero que você leia essa história, ela é bem particular e tem muito a ver com essse assunto. Depois de leitura, volte aqui e continue a leitura. Clique aqui e veja esse ensaio.

Uma história sobre uma pessoa comum. Sobre fotografar. Uma lição para mim e para você. Fotos: André Rodrigues

Você é sua história
Falo disso. Desse momento – na linha do tempo – na narrativa de nossas vidas – que não pode ser perdido. Ou esquecido. Ou melhor, não pode deixar de ser importante. Nem que seja para você mesmo. O trabalho com fotodocumentarismo de família ganhou outro statu com o uso de uma fotografia apurada.

Atualmente estou fotografando a história que não tive. Isto é, fotografo e conto a história do meu filho, Leon. Para que um dia ele veja – e também leia, pois tem texto – o quanto ele esteve inserido e foi importante para mim. Mas, também vai ser a história dele. Vou fazer até o momento que, depois, ele conte a própria.

Leon, 3 anos e meio. Aproveitando para registrar o cotidiano e rotinas em casa nesse tempo de isolamento social.

A minha, sinto muito de ter apenas fragmentos. Na infância não tinhamos recursos para tal – ou de repente interesse. Quando fui adolescente também fui arredio a fotos. E hoje falta muita coisa nesse enredo pessoal.

Por exemplo, não tenho fotografia daquele tempo mágico – que você só da valor lá perto dos 40 anos de idade – como o tempo de escola, ou mesmo dos amigos de infância,  da minh bandinha rocker, sequer tenho fotos da minha primeira namorada (de verdade). Ou coisas legais como o meu tempo de acadêmia e Kung Fu. Poderia ter e seria muito bacana (re) ver isso hoje. Pois então, agora entendo a importância. E não apenas pela fotografia, mas pelo valor da história pessoal.

Então fica a dica. Fotografe comprometidamente. Mas, caso possa, coloque aquela coisa mágica que faz a fotografia ser fotografia e não apenas um registro. É o melhor conselho que posso lhe dar hoje.

 

 

2 comentários

  1. Muito sensível a série da sua avó. Parabéns. Entendo perfeitamente a sua sugestão e concordo com a importância de registrar a pandemia. Mas confesso que não me deu vontade até o momento. Afinal, a pausa também é uma oportunidade a considerar.

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    • Oi Ana, nossa, não sei se tinha visto esse comentário seu… humm. mas, enfim, entendo você também. É algo meio que estranho que estamos passando. Conversava com um colega esses dias sobre isso. Fiz um post enorme sobre o assunto coisa e tal, mas resolvi resumir com a sugestão que ele passou. é o post com título clichê sobre ver o mundo e todas as possiiblidades.

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