7 Livros (ou mais) para te ajudar a pensar sobre (sua) fotografia.

Sempre é um prazer falar ou mesmo escrever sobre livros. Ainda mais sobre àqueles que contribuiram na formação. Livros de fotografia são bem diversificados e podem abordar ‘sobre’ ou ‘de’ fotografia. Ou seja, vão desde questões técnicas às ponderações teóricas e sua linguagem. Particularmente sempre gostei de livros teóricos (há uma razão disso) e neste artigo falo sobre alguns que eu tive a sorte de ler e internalizar.

A proposta segue como sugestão do Luiz Peixoto (feita num comentário em post anterior. Aliás, isso é muito legal, porque além de dar uma eneriga para escrever – eu ia desistir do blog – ainda posso ter sugestões de assuntos, pesquisar, consultar colegas. Então façam isso. Colabore, critique, compartilhe).

Contei a história de como um fotógrafo fez a leitura do meu portfólio e me indicou uma leitura específica para eu aprender a ver – e não só apertar o botão da câmera. O livro indicado por ele foi A Linguagem Fotográfica e Informação, do Milton Guran. Na epóca, não encontrei o livro em lugar algum. Na Biblioteca Pública do Paraná, o exemplar tinha sido surrupiado. Numa boa coincidência, por aquela epóca, o próprio Milton Guran estava em Curitiba para um palestra. Aproveitei a ocasião e fui lá assistir e trocar uma ideia com ele. Conversamos e ele disse que nem ele tinha um. Rimos e fui embora sem a leitura, mas com uma conversa boa com o Minton Guran.

Como eu já tinha uma direção, segui o caminho natural dos curisosos e fui em busca de títulos correlatos e também dos assuntos (cinema, literatura, história, semiótica, linguística, filosofia, sociologia, antropologia visual, muitos artigos acadêmicos (tem a excelente revista acadêmica Discursos Fotográficos, da Universidade Estadual de Londrina – UEL), manual da câmera… tava lendo até bula de remédio que vinha com palavra imagem.

No meu pequeno círuclo de iniciante, ter uma boa abordagem teórica sobre sobre linguagem não era algo tão comum. Encontrei bastante gente com conhecimentos mais num sentido empírico, aprendidos na prática e pouco debate formal e teórico. Quando encontrava alguém com conhecimento e referências nesse sentido teórico, pedia ajuda e conselhos. As coisas evoluíram grandemente e tudo, atualmente, passa por um aprendizado bem dosado entre teoria e prática.

No meu caso, como não dispunha de recursos e tudo era meio tardio, decidi que precisa de extrema formação teórica e não só técnica. A técnica operacional eu aprimoraria com a prática. Acabei lendo muito sobre teoria e fazendo workshops para aprender os aspectos técnicos – não tinha youtuber como faz isso ou aquilo… Não obstante, eu sabia que precisa de um equilíbrio. E acabei vendo isso na real, na prova dos nove. Mas, essa é uma outra história de fotógrafo.

Isso tudo foi um start. Dali em diante não parei mais. Lembro de um ano que li cerca de 80 livros, fora artigos, revistas, resenhas, palestras e cursos, e tudo que eu podia colocar em anotações.

Pois bem, para não ficar enrolando com conversa fiada de fotógrafo, vamos ao que interessa. Listo algumas referências antigas e coisas atuais. Também dá para dizer que são duas linhas. Uma de assuntos de puro cunho didático e outros de formação complementar – debate sobre fotografia como é o caso, por exemplo do clássico A Câmera Clara, de Roland Barthes.

Lembrando que estou falando do que eu li e serviu para mim. De repente, não sirva especificamente para você, porém o que vale é instigar a busca. Descobrir bases que possam te ajudar a melhorar o escopo conceitual da sua fotografia. Mas, vai por mim, é tipo algo como no estudo da Filósofia, você precisa manjar dos clássicos.

1 – A fotografia e a sua Linguagem, de Ivan Lima, foi um dos primeiros livros que li sobre o assunto da teoria fotográfica e da imagem. Bem correlato ao do Guran

2 – A Ilusão Especular, do Arlindo Machado. Clássico!

3 – Eis um importantíssimo. Teoria forte e contemporânea. Ato Fotográfico, de Philippe Dubois. Anedota local: Circula a lenda que ele esteve em Curitiba para uma palestra de 2 ou 3 dias. Algo assim. No primeiro dia lotado, fotógrafos, artistas e tudo mais. No segundo dia apenas alguns gatos pingados na plateia.

4 – Tornou-se quase clichê, contudo é um livro referência. A Câmera Clara, de Roland Barthes. Ademais, vale a leitura, pois nesse tempo de ‘hiper pictures’, é importante pensar o papel da fotografia na nossa vida e como se dá essa relação. Nesta mesma pegada, dá pra ler também o Filosófia da Caixa Preta, de Vilém Flusser.

5 – Para o campo do fotojornalismo você vai ter de ler dois livros. Um é bem didático o outro é contexto-histórico. Falo de Uma história Crítica do Fotojornalismo Ocidental, do teórico português Jorge Pedro Sousa. Outro: Fotojornalismo. Introdução à História, as Técnicas e a Linguagem de Fotografia na Imprensa. Assim, o capítulo 4 desse livro é uma puta aula de fotografia e fotojornalismo. Recomendo!

6 – Para não pensar que já estou ultrapassado – e não sou hein – deixa eu apontar algo mais atual. Contexto e Narrativa em fotografia, de Maria Short e (7) – Por trás da imagem: Pesquisa e prática em fotografia. Ambos, vale por um curso de fotografia.

Não fique só nisso, explore além
Para fechar a questão, sim, leia os livros técnicos, didáticos; contudo, acredito que um fotógrafo, assim como um escritor, faz-se de boas referências. Apegue-se à Literatura. Leia demasiadamente, sem restrições. Leia de tudo que ensine sobre a vida. E nada melhor do que a livros, os romances, as poesias, as críticas, os ensaios, as crônicas. Nada melhor do que a vida interpretada por um escritor.

Faço empréstimo de uma magnífica frase de Adilson Xavier, no livro Storytelling, para corroborar esse ponto: “Há um ponto de interseção, sensível e impreciso, entre realidade e ficção, e é nesse ponto que se encontra a verdade.”

Sim, é isso. E por meio dessa bagagem conseguimos interpretar e reinterpretar a vida, numa espécie de intertextualidade entre meios. Os escritores usam as palavras, nós, outra escrita, que é a fotografia. Ou como eu adaptei e acho super pertinente: “A matéria-prima da fotografia não é a luz, mas sim a Vida.”

Voltando para o que tange a fotografia, para não passar sem um exemplo pessoal, cito o ensaio que fiz com as pichações de cunho político distribuídas pela cidade. No qual desde os tempos antigos a forma de protesto existe e perdura mesmo em tempos de hiperconectividade e redes sociais. O ensaio Falam as Paredes nasceu depois da leitura de um artigo cientifíco sobre o picho publicado no livro Mímesis Expressão, no artigo ‘A luta pelo logotipo’, de Christoph Türcke, e posteriormente com Teatro do Bem e do Mal, de Eduardo Galeano, no qual chamou os muros como a mais democrático das imprensas. Não tem tanto apelo visual, mas tem coerência e está conceituado.

O que entra numa outra máxima que eu apresentei para dar gancho num assunto abordado no curso sobre projeto fotográfico: “antes vale ter uma foto bem conceituada; que você pode defender, do que 50 feitas a esmo.”

Assim como Susan Sontag, com o magnífico Diante da Dor dos Outros, que não é fotógrafa, mas ensaísta. Também vou te super-recomendar o livro de Geoff Dyer, O Instante Contínuo – uma breve história da fotografia. Sabe o tal do instante decisivo, então, você vai se surpreender sobre isso com o conceito oposto: a continuidade.

Portanto, meus amigos, leiam, explorem todas as formas de narrativas e depois de digeridas, impregnem suas fotografias. Reiterprete realidade, os fatos e ache esse ponto mágico, essa linha sutil que lhe proporciona o status de arte. Pois assim, com um pouco de talento, esforço e sorte, traga maravilhamento, universalidade, desmistificação e também beleza – porque não? A linguagem não é somente os aspectos técnicos, mas sim tudo que você pode revelar. Ou de forma bem resumida e objetiva dita atribuída ao celébre Ansel Adams: “Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.”


 

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Se puder, comente indicando um livro de fotografia ou deixe uma sugestão 

Fiquem bem e até o próximo post.

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