Fotografar (nas ruas) sob ameça do coronavírus

Máscaras e cartazes na precaução contra o Corona Vírus. Lojistas chineses dão exemplo. Fotos André Rodrigues (vide galeria abaixo)

Pode parecer um tanto que tranquilo, suave, até divertido ser fotógrafo. A atividade tornou-se corriqueira e plural. Entretanto, ser fotógrafo profissional não é parada fácil nesses últimos tempos. Além dos riscos comuns (sim, existem vários), em especial na reportagem visual, agora enfrentamos uma ameaça invisível e perigosa. A pandemia do coronavírus (Covid-19).

Esse temido efeito não se restringe somente ao da doença, mas também o resultado do caos social e financeiro que permanece pairando. No que tange a saúde, a recomendação é ficar em casa. Dilema preocupante.

Não obstante, sendo realista, na nossa área já estamos confinados, pois os trabalhos estagnaram. Em raras ocasiões precisamos ir para as ruas. No caso do fotógrafo (do repórter), o trabalho em campo é fundamental. O contato com a rua e com as pessoas é inerente. Mas, agora tudo está em suspenso. Não só os trabalhos comissionados, mas as saídas – mesmo a produção das fotos de forma independente – também estão mais raras.

Todo cuidado é pouco
Justamente pelo fato de que a cada momento as coisas vão ficando mais críticas e as medidas (decretos) são publicados para evitar a aglomeração de pessoas. Entretanto, eventualmente acabamos indo para rua.

Tenho colegas que ainda estão trabalhando de forma fixa nos jornais ou frilando para agências. A atuação também está sendo feito com menos intensidade. E quando vão às ruas, seguem as recomendações. Aliás, no meu caso, não faço diferente. Estou fazendo de forma redobrada. – —- leia no box abaixo.

Digo isso porque me enquadro no grupo de risco. Desde criança tenho bronquite asmática. Tive anos de luta com as crises. [Isso em situação comum, imagina diante desse problema novo que é o efeito Covid-19]. Pois bem, mas algumas vezes fui para a rua. Difícil conter a ansiedade de ficar em casa, confinado, sem poder produzir ou interpretar essa coisa toda. Acredito que nenhum jornalista que se preze, fica alheio a esse sentimento ou inclinação.

Não vou para fora sem necessidade. E quando vou tomo as precauções necessárias. Evito contato físico, mantenho a “distância social”, uso luvas e até máscara. Quando retorno para casa, tudo é posto para ser lavado e limpo. Roupas, sapatos. Faço higienização dos equipamentos. E não tomo contato com ninguém antes de um bom banho. Melhor prevenir do que arriscar.

A gente sabe que o trabalho é importante, mas a preocupação com a saúde e a vida– e também a saúde dos outros, do coletivo, da nossa família – vem em primeiro lugar. Sem sombra de dúvida, o papel do jornalismo é importantíssimo em momentos como esse. Para os fotógrafos mais comprometidos, fotografar é uma maneira de registrar, entender e traduzir o mundo ao nosso redor. Faz isso com comprometimento e paixão que é até difícil de explicar.

De repente, não a gente não tenha tantas pautas pagas, mas tal como os colegas portugueses que numa iniciativa em coletiva formularam o projeto  #everydaycovid, teremos de ir à farmácia, ao supermercado, e acho que a câmera ou smartphone vai com a gente.

 


 

Colegas falam sobre a cobertura

• Na rua, na fronteira
Paulo Lisboa, repórter fotográfico de longa-data, atua bem na linha que separa o estado o Paraná (Foz do Iguaçu) e nosso vizinho Paraguai. O Paraguai se agilizou e fechou a fronteira logo nos primeiro caso de coronavírus. Lisboa atua bem ali nesse contexto registrando as rotinas e parte do que acontece na divisa com a Ponte da Amizade. “Praticamente, todos os dias eu saio e faço fotos, filmagens”, diz Lisboa.

“Não encosto em nada. Não toco em nada. Não sento e não deixo o equipamento no chão”, comenta sobre o fato de ser criterioso com os cuidos. Também faz uso do álcool gel e procura dar uma geral em todo o equipamento.

O receio é mais em relação à situaçaõ do que consigo mesmo. Preocupação pela falta de estrutura e de que a coisa toda estar no só começo e ganhar proporções maiores.

De tudo isso, o papel da imprensa é vital. Lisboa ressalta a importância de estar nessa “linha de frente” da imprensa. Que a não é como estão reverberam por aí [alguns]: “que a imprensa está fazendo muito terror, muito mimimi”. “A gente mostra aquilo que é a realidade, que é a verdade”, diz o colega.


Contido, esperto e atento
O repórter-fotográfico Lineu Filho, do jornal Tribuna do Paraná segue trabalhando registrando o cotidiano de coronavírus em Curitiba. Vem atuando de forma bem atenta, tomando os cuidados com o contato com as pessoas, cumprindo os procedimentos de higienização, sem deixar de estar atento ao que pode render uma boa imagem.

Lineu diz que circula de carro, procurando sempre espaços abertos e evitando entrar em ambientes que acha passível de contaminação. A tele objetiva é parceira nesse trabalho. Visita lugares-chave da cidade para medir a movimentação – tal como Rua XV de Novembro (centro), Unidades de Saúde (UPAs). “Procuro coisas interessantes para fazer uma composição. Dias atrás fiz uma foto com um grafite ao fundo. Esse tipo de coisa”, explica.

Lineu Filho acredita que essa pandemia ainda está no começo. Esse trabalho de agora é mais geral – mesmo focado no Covid-19. Caso ocorra de as coisas ficarem mais complicadas daqui um tempo, a ideia agora é se resguardar. “É preciso manter a sáude para a gente estar forte na hora que mais precisar dessa documentação [fotojornalística]”, reforça. “De repente, teremos até de fazer denúncia mesmo”.

O fotógrafo alerta não só para os cuidados indicados em relação à doença e contaminação (limpeza, troca das roupas, uso do álcool e tudo mais), mas também para o quesito segurança. A criminalidade está em baixa devido a pouca circulação de pessoas. Quem está nas ruas tem mais chance de ser uma vítima. Então, cuidado com os equipamentos


Exposto, mas consciente
O jornal Bem Paraná vem se destacando no jornalismo local. E nesse perído de pandemia, a cobertura continua em plena atividade na capital paranaense. Boa parte dos profissionais estão em sistema de trabalho em casa (home office), mas o jornalismo não pode parar. Na linha de frente, no jornalismo visual, o repórter Franklin de Freitas encara o Covíd-19.

“Tenho ciência que estou exposto”, disse Franklin. “Mas, não tem outro jeito. Eu não posso. Meu trabalho é na rua”.

Perguntei como estava se sentindo com tudo isso. Como gosta de frisar, comentou que nada substitui a vida, mas já está mais acostumado com esse momento, com o pouco movimento nas ruas, com as pessoas confinadas. E o que o deixa tranquilo é a consciência que está cumprindo seu papel de jornalista. “Peço a Deus que nada aconteça e vamos avante”. “O jornalismo é isso. A gente tem de contar para a sociedade aquilo que o governo não quer contar.”

Franklin de Freitas cumpre as rotinas (pautas) do jornal utilizando o serviço de táxi e aplicativos. O cuidado é redobrado, justamente pelo fato de muita gente circular nos veículos. As preucações são as mesmas citadas pelos colegas. Ou seja, lavar as mãos, desinfetar o equipamento, bolsas, colete e tudo mais.

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