Fotografia: o efeito Corona vírus na fotografia freelancer

“A vida não consiste em ter boas cartas na mão e sim em jogar bem as que se tem” – Josh Billings


 

Com o avanço do Corona Vírus (COVID 19) enquanto ameaça e pandemia deixou todos em alerta. Fotógrafos em toda parte, em especial os freelancers, devem estar sentido os efeitos econômicos. Ou pelo menos irão sentir conforme medidas de contenção vão sendo tomadas. Eventos de grande porte foram adiados, campeonatos esportivos paralisados, shows, feiras e lançamentos, eventos em geral com mais de 50 pessoas estão com restrições. Enquanto isso, a renda e subsistência dos fotógrafos vai sendo comprometida.

A questão de como os fotógrafos estão lidando com esse duro período de ameação de um vírus que já matou cerca de 7 mil pessoas no mundo, está em debate em alguns sites e blogs especializados. Uma realidade distante? Não, em breve vamos enfretá-la.

Li na rede social de um colega há pouco: “Esse Corona Vírus é forte mesmo. Em um dia acabou com minha agenda do mês”. Assim como a propagação do vírus, o problema econômico é uma questão de tempo. Como se já não fosse uma dureza para fotógrafos brasileiros que vivem de frilar.

Por exemplo, na área da fotojornalismo esportivo, fotógrafos já especulam acerca do adiamento ou cancelamento de seu trabalhos. Com a maioria de eventos esportivos paralisados, boa parte dos trabalhos também foram adiados. Para quem dependia do evento para tentar – por consignação – vender fotos, a coisa é pior ainda.

A área cultural também está sob medidas para frear o avanço do Covid. Isso quer dizer, segundo medidas locais, eventos de qualquer natureza com aglomeração de 50 pessoas estão suspensos. Logo, cobrir shows, feiras, encontros, lançamentos de livros, não será possível.

Uma dura realidade
A questão é a seguinte: Para uma realidade sombria que afeta a profissão da total insegurança com o desemprego após o enxugamento das redações, descaso, zero redes de apoio profissional (até mesmo entre colegas), resta a pressão e a preocupção. Contas para pagar, boletos e vencimentos, aluguel e tudo mais. Não tem como não ficar preocupado, pois não há seguro, não há ajuda extra, não há nada. E agora?

Diferentemente de realidade de outras profissões, aqui boa parte dos colegas não atua com contrato – e que também não assegura muita coisa nesses casos como comprimento de multas e coisas do gênero. Ou seja, boa parte está jogado à própria sorte e conta com ajuda de outros mantenedores – pais, maridos e esposas, rendas alternativas – primárias ou secundárias com trabalhos e bicos. Para ser sincero a realidade é está.

Sondei a questão num grupo de colegas que faço parte e como estariam lidando nesse primeiro momento com o “efeito econômico” da doença. Obviamente há quem já tenha ligado o zinla de alerta. Sei disso porque conheço boa parte dos fotógrafos e não há quem não esteja “matando um leão por dia” para se manter ou pelo menos atuar. Ademais, falo também por experiência própria.

Esse mês não tive contatos para jobs. Sequer recebi os rendimentos de trabalhos que fiz. Pra você entender a realidade que aflige o momento, ofereci uma pauta para um contato. Que disse, segundo uma conjuntura, ter problemas de levá-la adiante. Sugeriu-me oferecer a outro veículo, entretanto, se dentro de uma semana eu não efetivasse a pauta, ele “venderia” e faria lá – sem mim.

Como consta, a perspectiva não é promissora. E caso tenhamos realmente que entrar em sistema de quarentena residêncial, a coisa vai complicar bastante. Afinal, não há reserva, não há auxília, seguro – visto que boa parte dos profissionais é o empreendedor de seus negócios. E diante da crise e instabilidade do momento, a coisa não soa bem.

Basicamente esta é a (nossa) conjuntura da fotografia freelancer.

É hora de desistir?
Diante do problema, naturalmente surge perguntas como: Tem solução? Vale a pena continuar? Tal como surgem as indagações também aparecem também as considerações que podem iluminar o caminho.

Considerei alguns pontos primários:

1 – Nossa profissão é demasiadamente complexa para soluções isoladas e definitivas;
2 – estamos distantes de uma organização efetiva e formal;
3 – Somos carentes de alternativas ou “plano B”.
4 – O que de prático da para fazer no momento?

O nosso segmento é extremamente complexo e até mesmo desfragmentado. Diferentemente de outros campos profissionais, nossa organização enquanto corpo (classe – para usar um termo mais local), ou identificação deixa muito a desejar.

Além disso, independentemente de um fator organizacional formal (uma instituição constituida), precisamos reforçar o apoio coletivo. Ou seja, matar um leão por dia, mas ajudar um colega por dia também.

A questão que emerge é como ajudar se não temos nem para nós mesmos. Um colega disse tempos atrás: “como cobrar por algo que as pessoas já não dão valor”. Esse assunto cabe em outro artigo, porque é complexo, pois tem questões de mercado, precificação, valorização direta e indireta, estruturação e diversificação – visto que fotógrafos ainda tentam vender os mesmos produtos – e tudo mais que envolve o mercado. Mas, quando falo de ajudar necessariamente não estou correlacionando somente aos trabalhos e jobs em si, mas em apoio direito e indireto.

Nossos “penduricalhos” ou alternativas paralelas carecem de apoio ou mesmo força. Podemos ter livros, fotos em impressões de qualidade, promover ações e workshops, mas sem venda efetiva pouco ajuda. Logo, isso quer dizer que vale oferecer – e até mesmo pedir ajuda – para amigos, colegas, parentes e tentar fomentar uma renda alternativa em tempos de crise. Aliás, nem precisa pedir, todo mundo já sabe que estamos em crise.

Como li numa postagem, também na rede social de um veículo local: em tempos de pandemia, a união faz a força.

De uns tempos para cá recebi muitas críticas de um amigo atuante na área administrativa. Em especial por essa análise “colaborativista”. Um tanto que cético, ele acredita que isso tudo funciona bem no papel e, que na realidade, em campo a disputa é acirrada e ninguém está nem aí para ninguém. Inclusive, estou assim (para ele eu me dei muito mal) porque nadei anos contra a maré (leia realidade da profissão). Tentei ser coletivista, num setor que não é. Que tudo isso não passa de coisas sem a mínima chance de aplicação – agora ou num futuro próximo.

Enquanto organizava as ideias para estruturar esse artigo, li um texto bem sugestivo e totalmente correlato com isso que abordo. Uma passagem chama atenção e que sintetizo para o fecho.

Advogamos tanto em causas como meio ambiente, políticas, idealistas, por exemplo; mas precisamos aprender a nos defender. Levantar a voz por nós enquanto grupo, enquanto colegas e se queremos que nossa profissão ainda tenha algum valor. Não só sobreviver, mas crescer. Nem que seja aos poucos. Por fim, sabemos que não há saídas fáceis, porém ainda há alternativas. Vai depender mais de nós.

3 comentários

  1. André, minha sugestão é algum tipo de interação remunerada on line. Por exemplo, cursos de fotografia, leituras de portfólios, edição, tratamento de imagens,…. Em pequenos grupos, já que não se trata de um projeto estruturado de EAD. Enfim, não vai resolver a questão econômica mas pode minimizar. Bjs virtuais

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    • Verdade Ana. Boa sugestão. Até li um artigo que faz bem essa linha. Acho que vou até bolar um post hj comento essa ideia tua. Vou fazer uma pesquisa nós grupos e ver quem tem outras para sugerir. Compra de fotos e consultorias é uma boa hein. Boa dica. Vou bolar algo 🤘📸😁😃👏👏

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  2. Tenho uma amiga brasileira em Roma que faz um agendamento especial de turismo de história da arte. Ela está aproveitando estes dias para muitos lives no Instagram. É um modo de divulgar o trabalho para quando as coisas melhorarem.

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