O Desafio do Retrato [4] – je re sais quoi – aquele “quê”.


Para esse post continuo abordando a questão da “mágica presença do outro”. O assunto é interessante e acho que vale uma abordagem extra, pois o tema é amplo até amplo tanto no sentido da condição do fotógrafo quanto de quem se dispõe a ser retrato.

Anteriormente falei sobre o encantamento natural da pessoa. Aquele “quê”, aquela essência muito ligada à pessoa e que é missão do retratista extrair. Sabemos que o portrait, a arte do retrato não é tarefa tão simplória. Pode ser simplificada implificar em aspectos técnicos, praticidade, menos formalidade, mais criatividae e originalidade; entretanto, não é tarefa simplória. Diga-se de passagem que é uma dos segmentos mais complexos e charmosos.

Esse apontamento eu constatei na fala da de Jennifer Henderson, retirado texto “Uma Ode ao Retrato” (em inglês), publicado no site Witness.“O retrato é uma categoria de fotografia que é tão complexa e única que pode abranger todas as outras categorias de fotografia e ainda assim se manter sozinha. Ou seja, todos os fotógrafos de retrato são fotógrafos, mas nem todos os fotógrafos são fotógrafos de retrato”. Muito legal o artigo. Recomendo a clicada no link e a leitura.

Retomando essa questão da presença (presence) do outro no retrato, não somente da sua performance, mas da áurea, estamos tratando na verdade daquilo que gostaria de ver num retrato. O “je re sai quoi”, para usar um termo citado no artigo da Jennifer Henderson. Isto é, tudo aquilo ligado à personalidade da pessoa. “Coisas que não podem ser vistas a olho nu”.

Como buscamos ou extraímos isso? Bem, não há uma fórmula pronta. É pura construção – ou desconstrução – para usar um termo modinha agora. Aliás, na verdade, pura evolução de si enquanto fotógrafo. Poderia dar o nome de direção, domínio técnico, de composição, iluminação, saber o tipo de retrato, se é beleza, perfil, moda, esse conceitual que está em voga. Ou mesmo ser um cara carismático e saber envolver-se com a pessoa. Contudo ainda sim, vai depender do tipo de postura que você assume e tem de entendimento do que é o retrato e, em especial, quem é seu retratado.

Lembro de anos atrás ter visto um retrato do Jô Soares. Ele figurava sentando numa cadeira, estava de costas e com um charuto esfumaçando. Uma luz angulada de cima destacava sua silhueta. A foto, do celébre fotógrafo Márcio Scavone, diz muito sobre essa questão da personalidade. Não há necessidade de estar de frente, você sabe que é o Jô Soares. Claro, há uma questão de repertório. Por ventura, um jovem desconheça quem é o apresentador terá dificuldade em identificar de imediato, porém, para quem conhece o referencial pode identificar.

E, justamente essa coisa do “je re sai quoi” é que estou buscando para os meus retratos. Independente de quem seja. Do anônimo ao mais conhecido. Até porque, uma coisa relevante do retrato é justamente esse poder de emanar força de quem quer que seja. O que vale realmente é ser algo verdadeiro e honesto. Aliás, é justamente isto que estão buscando.

De certa forma isso aconteceu quando fotografei o engenheiro e arquiteto Lolô Cornelsen. Um dos grandes nomes da arquitetura modernista brasileira e que, infelizmente, faleceu no último dia 5/3. Na ocasião, a foto tinha como destino um artigo de perfil. A sessão (fotos e entrevista) fora marcada para ser realizada na casa de Lolô. Lá encontramos um sujeito – apesar da idade avançada – genial, ativo e super verdadeiro. Disposto, performático, verdadeiro, crú, sem filtro. Sem tempo ruim, como costumos dizer. Qualquer ponto que parávamos para conversar, rendia uma foto. Foram dois encontros que tive com o arquiteto e nas duas sessões sai com pelo menos um ou dois retrato verdadeiros.

Ocasiões e pessoas assim já trazem em si a mágica do retrato, basta estar atento para extrair. Aliás, em poucas vezes vi uma pessoa ser tão verdadeira mesmo diante de uma entrevista e de uma câmera. Para quem muitas vezes precisa fazer fotos à la banco de imagens, essa sessão foi muito gratificante.


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