A aniversariante! – Curitiba, 326 anos

Pois estas fotografias são retratos das coisas na sua pureza. Elas dão conta da sua presença. É por isso que enfocam coisas comuns: querem vê-las como se fosse pela primeira vez, na sua particulridade e concretude. – Nelson Brissac Peixoto, no livro America Imagens.


Curitiba continua sendo linda. Mas também tem lá suas fealdades. Deverás natural em qualquer cidade, principalmente numa capital em constante transformação. Tascam-lhe adjetivos, clichês publicitários, religiosamente reforçados para manter sua imagem construída. Esteriotipada no senso comum da massa. Cidade do futuro, cidade ecológica, europeia, limpinha, inteligente ( esse é o mais surreal termos de personificação que ouvi) e tudo mais que possam lhe apregoar. Uma cidade inventada como tascou o jornalista Cristiano Castilho.

Sim, Curitiba é enigmática e precisa de várias alcunhas para tentar defini-la. Ou mesmo trazer à existência. Gastaríamos o dia em discórdias. Tarefa para os engajados. Isso pode acontecer ali numa discussão ali na Boca ou em qualquer botequim. Só uma sugestão. Para falar a verdade estou fugindo disso. Dessa curitiba para “gringo ver”. Busco uma cidade que extrapole as imagens glamouradas dos cartões postais, do quadrinho na moldura. Ela existe sim, obviamente, mas busco “a outra”, aquela mais real, não tão comum, mas ainda com seus mistérios. Ela é velha, ela é nova, ela é bipolar, ela é plural, é excludente, fica triste, chora, mas também sorri mesmo que de canto de boca. Não é todo dia que o céu é azul por aqui, muitas vezes é cinza. Quero as extranhezas, as idiossincrasias, que seja humana, paradoxal como acredito que ela já é. É elogiosa, mas ainda autofágica.

Essa outra capital revela-se de norte a sul. Tem a elegância, levemente blasé por sinal, mas também contempla a simplicidade. Tem o lado nobre, mas também tem os bolsões de pobreza da periferia – queira ou não os marqueteiros de plantão. Essa cwb eu descubro todos os dias quando ando pelas ruas, quando parao na padaria para café, ou converso com os “carrinheiros” na Rua XV sobre o real sentido de reciclagem e ecologia. Vale também quando troco uma ideia com os jovens ali no centrão, com os punks, na banquinha com a galera lá do ceará, na praça quando apuro o ouvido para ouvir o francês ou o dialéto na conversa do imigrante (pois, a praça para eles tem outro sentido, outro conceito, outra coisa que não seja apenas lugar de banco e árvores ou de bustos de homens que floream sua história), no ‘corres’ do sinaleiro, a rua que não tem petit pavê. Ou mesmo quando sou ignorado e recebo um não. Estou interessado na cidade mais real [se é que isso existe ].

Essa é a “Outra”. Ainda estou pegando intimidade com ela. E eu sei que ela existe. Já me contaram. Estou em busca e hora dessas descubro mais sobre essa entidade chamada Curitiba que tanto tem a esconder, mas que está perdendo a timidez e vai se revelando. Ainda mais agora que está mais experiente nos seus 326 anos. Se você trombar ela por aí, dê os parabéns. E depois me fale.

A Outra
Essa é uma proposta fotográfica que estou desenvolvendo. Está no campo da pesquisa. Inclusive estou lendo vários livros – principalmente crônicas – sobre Curitiba. Vou tentar fugir das imagens construídas, dos cartões-postais. Ver a Curitiba mais crua e nua, mais latejante e brutal. De ontem e de hoje. De repente, busco aquela Curitiba que não é reconhecida pelos curitibanos. Vamos ver se a encontro e se eu achar eu te mostro depois.

Fiquem bem e até o próximo post!



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