De boa na coletiva!

Difícil um jornalista ou fotojornalista, principalmente profissionais ligados a jornal ou meios de comunicação como portais e sites noticiosos diários, não terem participado de uma entrevista coletiva (ou coletiva de imprensa, ou mesmo a modinha press conference ). Uma coletiva tem lá suas caracteristicas, que podem ir das mais triviais – para os fotógrafos – mas, também suas dificuldades.

Para quem não está familiarizado com a questão, uma coletiva é um evento para apresentar a informação de uma só vez para os jornalistas. Ou de formas mais didática: segundo Carlos Alberto Rabaça, “um tipo de entrevista que a personalidade atende à imprensa em conjunto, respondendo às perguntas dos repórteres de diversos veículos de comunicação”.

Há todo um procedimento e critérios para a realização de uma entrevista. Etapas que vão desde a importância, relevância e natureza do assunto (questão ou fato) que será apresentado, ao horário, divulgação prévia (release, aviso de pauta), convite e presença dos veículos de relevância, lista dos participantes, credenciamento, entre outras que diz respeito a quem está convocando a imprensa.

No outro lado do espectro, jornalistas (repórteres de texto ou imagem) devem ficar espertos com o horários, ter conhecimento prévio da questão, ter se preparado para a coletiva – seja para fazer as perguntas ou fotografias.

O fotógrafo na coletiva
Coletivas até parecem meio simplórias. Tipo é só chegar na hora e fotografar. Mas, o evento em si tem lá seu ardil e se você não estiver meio esperto pode perder a foto ou sair com um material abaixo da média. Vejamos.

O ideal é que você chegue cedo. Por exemplo, caso o evento estivesse marcado para as 9 horas, eu chegaria lá por volta das 8h30. Ideal porque você pode achar um bom lugar para se posicionar. Também sobra tempo para explorar o lugar (visualizar possibilidades para uma composição diferenciada) e até testar fotometria e variações na sua exposição.


Na maioria das coletivas você vai encontrar o pessoal da TV, com equipamentos volumosos, pesados e tripés mais robustos. Não obstante, os cinegrafistas acabam ocupando mais espaço. Dependendo de como foi organizada, do espaço para locomoção, você pode ter problemas com o entrevistado ou com a entrevista em si.

Pode soar estranho, mas parece que as coletivas nunca são pensadas para o pessoal da imagem. Os lugares são pequenos, os espaços de passagem e movimentação são limitados – quando não inviáveis – os pits (quando necessário) são distantes e tudo mais. Digo estranho, porque a maioria dos assessores tem expectativas (quando há interesse do assunto ser difundido), que o seu assessorado saia “bem na foto” e estampe um lugar de destaque no impresso ou site. Mal sabe ele, ou finge ignorar, que uma boa foto ganha espaço. Mas…esse é tema de outra conversa por aqui.

Em relação ao que levar, vale ter na bolsa o equipamento certo. Entre elas uma meia tele e uma teleobjetiva (70-200, por exemplo). Se você chegar muito em cima da hora, depedendo do lugar que está ( longe no caso ), ela vai facilitar seu trabalho.

Sugestão extra
Independente se a coletiva foi uma fiasqueira – ter sido elaborada apenas para promoção ou divulgação de um conteúdo – informação que só interessa a pessoa, empresa ou instituição, ou as pessoas envolvidas apenas se esquivaram dos jornalistas – a função do repórter fotográfico é ter a imagem que contextualize a questão. Para isso fluir bem, vale estar “afinado” ou em sintonia com o seu colega repórter.

Ter em mente a angulação do fato, ficar atento ao contexto e tudo que acontece ali. Muita coisa pode ser transformada em imagem e ter relação (direta e indireta) com a questão abordada na coletiva. Pode ser expressões faciais, movimentação de assessores, anotações num caderno, nervosismo – mãos, gesticulação, falas mais eloquentes. E ainda, elementos do espaço reservado para a entrevista podem ser usados na composição – tais como logotipos, frases na parede, emblemas, imobiliário da sala, entre outros. Pode-se cirar, como elemento da linguagem fotojornalística, uma relação “figura-fundo”.


Por fim, não substime uma coletiva. Pode ser uma oportunidade para arriscar uma foto diferenciada, tentar fugir do trivial quem sabe fazer um material diferenciado. Às vezes dá certo. 

 

 


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Fiquem bem e até o próximo post!


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André Rodrigues, born in 1977. Brazilian photographer. freelancer, based in Curitiba, Brazil.

He began photography in a didactic way, did small work and collaborated with local agencies and newspapers. He graduated in Journalism and worked as a journalist. He works on a long-term project entitled “Vote in Pictures”.

Recently it is dedicated to varied questions, documentary photography, contemporary issues, religion, peoples, politics and human behavior.

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