O Desafio do Retrato [1] – uma ode

Escritor, poeta e artista plástico Carlos Dala Stella.

Dia desses, naquelas efêmeras leituras de internet, deparo-me com um pequeno texto publicado por um fotógrafo que admiro e sigo nas redes. Um fotojornalistas francês dessa nova boa safra.

O pensamento, um texto bem legal sobre a nobre (cerimoniosa) arte do retrato. Aqui vale o empréstimo intertextual de forma resumida. Até porque falta aquela pegada e expressões idiomáticas do francês. Fico na dívida do link do texto. Nessa enxurrada de coisas, não consigo achar na timeline dele. De lambuja fico com a liberdade dos adendos).

No sentido geral ele diz que o retrato é basicamente um encontro furtivo. “Não há muita segurança. Todos nervosos, inseguros e cheio de emoções – inseguranças pra ser real”, diz Corentin Fohlen. Além disso, vale dizer que há um quê de promiscuidade. Lindo isso, não. 

Little Ramona. Lino´s Bar.

Numa sessão, você tem alguns poucos minutos. Breves. Raramente dispoe de tempo para flertar, conversar, pensar em algo. “Como atingir as pessoas? Como mostrar o que elas são – ou até mesmo o que gostariam de ser naquela breve encenação?”.

Marina Klink, fotógrafa
Dalio Zippin Filho, advogado ligado aos Direitos Humanos.

Dizem que no retrato rola uma troca. O retrato isso e aquilo. Que “todo retrato é um autorretrato”, disse um renomado fotógrafo – quem teria realmente já apontado isso foi, na verdade, Dorothea Lange (1930).

Não obstante, o retrato é pura batalha. Luta cruel, face a face, corpo a corpo. De um lado seu oponente, tentando se impôr. Do outro, você, performático, aparelhado com suas armas fotográficas na esperança da submissão.

Num terceiro plano, tal como um estrategista atrapalhado, sobra o assessor. Ora com dicas práticas ora com dicas estúpidas e cliches mal fadados antes de serem digitalizados.

Rogério Pereira, diretor da Biblioteca Pública do Paraná (BPP)

O campo de batalha é a locação. Arrasta algo daqui, empurra dali. Ilumina. Rebate. Conversa o necessário, também o desnecessário. Fala besteira, faz piada tosca. O retratodo não ri. Você acha que está sendo derrotado. Vai perder e sair sem aquilo que seria a quintessência da coisa em si. Ou melhor, do seu personagem.

Numa outra analôgia, agora minha. Tal como um dandi de salão, você infere que não se trata de uma luta, e sim de uma dança. Tem ritmo e cadência. De repente, seja você bom dançarino ou não, vale se arriscar na pista. Aliás, depois uns bons goles, você já se sentira o paladino do sapatiado – digo, das câmeras.

Nessa luta, ou dança – conforme queira – ninguém sai imune. Entretanto, niguém perde. Saio de lá com sua imagem. Aquela que eu criei, aquela que você projetou (encenou) e aquela que pensarão de você. Uma performance consentida, num grande teatro fotográfico.

Streetphotography. Retrato na Parada da Diversidade

Ademais, por fim, não podemos deixar de dizer que o portrait é democrático. Aceita qualquer pessoa sem distinções. Pobre ou rico. Uma pessoa notória ou um simples cidadão escolhido na multidão. A pessoa sempre será a arte em si. Ele não apenas participa, mas torna-se. Ou como disse Diane Arbus: “o tema da foto sempre é mais importatne do que a foto”. O retrato é uma fotografia de todos.

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