Quando você não é bem-vindo

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.”  – Yeshua – João 13:34


Há um ano postei essa imagem em minha conta do Instagram. Foi um caso de homofobia que ocorreu em Curitiba e que gerou repercussão e protestos.


João Pedro Schonarth e Bruno Banzato estavam prestes a se mudarem para o bairro “Água Verde”, em Curitiba, mas foram surpreendidos com a distribuição de panfletos de conteúdo homofóbico.

O panfleto, com imagens de dois homens, expõe uma narrativa duvidosa de “que a rua será mais alegre” e “irá inspirar e influenciar toda a vizinhança”. Ademais informa o endereço da casa, intitulando como “endereço da baixaria”. O incidente ganhou repercussão, logo após João e Bruno tornaram público o folhetim nas redes sociais.

Na época, eles registraram boletim de ocorrência e na praça do bairro foi realizado um ato com a participação de centenas de pessoas (boa parte de moradores da região) que foram dar as boas-vindas aos rapazes. Reafirmaram o recado pelo fim da homofobia, que ali não há espaço para o ódio e para a falta de respeito ao próximo. Ou como estava escrito em um cartaz de repúdio ao panfleto: “a rua vai ser mais alegre sim”.

Todos são todos
Hoje é Dia Internacional contra Homofobia, Bifobia e Transfobia (DICHT) e a imagem vale para reforçar que é preciso mais amor, tolerância e racionalidade.

Ou como salienta Natalia Kanem, diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) ao reafirmar compromisso do órgão em defesa dos direitos dessa população. “Toda pessoa, sem nenhuma distinção em qualquer esfera, tem o direito de viver livre de violência, perseguição, discriminação e estigma de qualquer tipo. “Direitos humanos são universais. Práticas culturais, religiosas e morais e atitudes sociais não devem sem invocadas para justificar violações de direitos humanos de nenhum grupo, incluindo contra pessoas LGBTI”.

Direitos Humanos trata-se de um conceito, uma linha de pensamento e política ressaltando que todos os homens são iguais. Inclusive, seu cerne é o que muitas religiões defendem, mas que, infelizmente, muitos dos seus seguidores fazem questão de não aplicar.

Por fim, precisamos ir além dos posicionamentos (religioso, político ou pessoal – que de certa forma também são conceitos), e defender a dignidade, a igualdade e buscar o respeito à vida. Seja do imigrante, do homossexual, das mulheres, dos idosos, dos carentes, enfim, buscar a empatia – que é a condição de se colocar no lugar do outro. E assim, racionalizarmos em direção a mundo melhor para todos. Para um lugar no qual todas as pessoas sejam bem-vindas

Sobre o retrato
Fiz a foto durante o ato. Muitas pessoas queriam abraçar e falar com eles. Tinha de ser jogo rápido. Esperei uma pausa e educadamente perguntei se poderia fazer um retrato deles.

O sol estava alto, uma luz dura e intensa. Para suavizar e conseguir uma luz melhor (como eu não tinha como fazer minha própria sombra com um soft) pedi para eles irem até uma árvore (decorada com mensagens de apoio). Como já tinha em mente o que queria, fiz poucas variações. Optei pelo formal mesmo. Usei um flash de preenchimento.

Uma sugestão
Gostaria que você conhecesse e desse uma olhada no trabalho do fotógrafo Robin Hammond, integrante da agência Noor e colaborador da revista NG. Em especial o trabalho “Where is Love Illegal”. Meu amigo, sinceramente, vale a pena.

Fiquem bem e até o próximo post.

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