Shokonsai

 

Ano passado fui conferir a história por trás do Shokonsai – uma celebração realizada bem ao lado de um cemitério japonês de quase cem anos, lá no interior de São Paulo. Trata-se de um evento realizado em memória dos mortos que ali foram ali enterrados.

Organizado todos os anos pela comunidade de japoneses e descendentes a mística local diz que os ventos dão uma trégua e nunca chove nesse dia. Pode até chover um dia antes ou depois, mas nesse dia tudo fica meio que parado. Isso foi um ponto que chamou atenção é fui lá conferir. Entretanto, além da questão pitoresca, investi nesta história também pelo seu cunho cultural, histórico ( o local é tombado como patrimônio) e étnico.

Acabei não investindo para a publicação da história. Uma pena! Então, segue ele aqui nesse formato. Se você aprecia a cultura oriental, questões místicas ou por mera curiosidade, fica aqui o convite pra leitura. Abaixo segue textão e fotos. 

Um lugar onde até o vento homenageia os mortos. 
Tradição, cultura e reverência à memória dos antepassados num cemitério japonês tombado como patrimônio histórico e único na América Latina.

A previsão do tempo indicava chuva, mas as pessoas que conhecem a tradição do Shokonsai, uma celebração realizada bem ao lado de um cemitério japonês de quase cem anos, não dão muita atenção e costumam responder em tom de fé que “no dia do Shokonsai nunca chove e até os ventos cessam”.

Organizado todos os anos pela comunidade de japoneses e descendentes na região de Álvares Machado, uma cidade do estado de São Paulo, no Brasil, com pouco mais de 24 mil habitantes, o Shokonsai tem uma programação com atrações como karaokê, coral, danças tradicionais, taiko, culinária e venda de artigos rurais produzidos pelos colonos. Entretanto, o ponto forte do dia é o ‘Bon Odori’ e a homenagem em que velas são levadas aos túmulos dos antepassados ali sepultados.

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As coisas poderiam ser como em qualquer outro cemitério, porém, de acordo com a mística local, no dia do Shokonsai nunca choveu. Até mesmo os ventos dão uma trégua para que as velas colocadas nos 784 túmulos permaneçam acessas. Cerimônia e fenômeno que se repetem há 97 anos.

A solenidade da comunidade japonesa de Álvares Machado é realizada sempre no segundo domingo do mês de julho. A pequena capela do cemitério fica lotada de gerações de japoneses para acompanhar o culto budista. O clima não é de tristeza e sim de respeito.

A programação continua com oração pela paz em memória aos soldados falecidos de todas as nações na 2ª Guerra Mundial, abertura oficial com presença de lideranças nikkeis da região, apresentações artísticas e por fim a aguardada cerimônia das velas.

Além das místicas envolvendo o tempo, o cemitério também está rodeado de histórias de superação, heroísmo e até mesmo discriminação.

O local surgiu com a chegada dos imigrantes japoneses ao Oeste Paulista por volta de 1918-1919. Os japoneses que ali se instalaram sofriam com a dificuldade em enterrar seus entes, pois o cemitério mais próximo ficava localizado 15 quilômetros, na cidade de Presidente Prudente. O que era um problema considerando a região rural e as estradas da época. Um surto de febre amarela acelerou o processo de criação do cemitério por parte dos membros da colônia nipônica.

Shokonsai – opening site from André Rodrigues on Vimeo.

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