Por que as paredes não se calam…

 

Ano passado iniciei um pequeno projeto intitulado “Falam as Paredes”. Desprovido dos julgamentos comuns acerca da questão, trata-se de uma série que aborda as opiniões e indignações externadas nas paredes das cidades. – as pichações propriamente. O trabalho foi publicado pela Agência Plano e também neste espaço. Depois de um tempo de maturação e engavetamento, retomo a questão.

Desde 2013, com o surgimento dos protestos contra o aumento da tarifa e posteriormente com as manifestações contra a realização da Copa Fifa no Brasil, passei a prestar atenção (e a registrar) alguns desses discursos gravados nos espaços da cidade. De forma ocasional, mas que agora compõem um conjunto já com um objetivo e conceito definido.

“Falam as paredes”, título tomado de empréstimo de um artigo do jornalista Eduardo Galeano, publicado no Livro “Teatro do Bem e do Mal”, aborda as opiniões das ruas, dos muros, dos aforismos baratos e discursos mais politizados. Obsessão essa, que ainda permanece mesmo em tempos de militância via smartphones. Ato comunicacional alternativo, questionador, transgressor, de contracultura, e classificado como desobediência civil, que carrega uma caligrafia de crítica crua e passível de reflexão. Há quem diga que “a voz do povo é a voz de Deus”. Eu e os aforismos baratos.

Esses tipos de “pichos” podem ser encontrados em qualquer parte do mundo, não obstante, desde os tempos antigos. Alguns têm cunho mais universalista, outros mais regionalizados. Mas, inevitavelmente carregam um discurso.  Entre eles: registros de opiniões contra o aumento de impostos, oposição a políticos e decisões políticas, críticas às instituições representativas, posicionamentos em defesa de direitos, de causas e grupos minoritários, feminismo, polarização e ódio, debate de gênero e toda uma gama ideológica de fatos sociais contemporâneos.

Retomo esse ensaio agora, visto que a questão fica mais efervescente em tempos de crise, de contexto político e eleições. E também depois de identificar que muitas desses “pichos-opiniões” ou “lambe/cartazes”, quando ainda permaneciam lá, recebiam respostas contraditórias. Exemplo do lambe sobre o o programa Bolsa Família que recebeu a “correção” para “vagabundo”. Um embate de opiniões num país em crise política, econômica, moral e ética. 

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