Por dentro de uma fábrica de pães (e torradas)

Por André Rodrigues


Sabe aquele pão e torradinha, bons acompanhantes daquele cafezinho? Fui lá descobrir como é que se faz. Por esses dias andei a fotografar numa das maiores fábricas de pães do Brasil. E rolou fotografar todos os setores. Uma pequena “foodstorie” para quem gosta de pão ou simplesmente gosta de saber como acerca do processo.

A Charlotte fica localizada em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Investe em produtos de marca própria e marcas produzidas para supermercados. Produz 2,5 mil pães por hora e esse número deve aumentar em breve – com a aquisição de mais um forno. Do total da produção, cerca de 70% viram torrada.

Todo o processo é automatizado. Mas há um cuidado especial e pessoas por trás. Isso acontece desde a preparação das receitas e escolha dos ingredientes. A conferência e inspeção é um dos pontos fortes.

A fabricação dos pães começa com a separação dos ingredientes para a receita. Depois são pesados, então segue para serem misturados com água e a massa. Em seguida vem o processo de fermentação. A massa em seguida é cortada em porções, modelada e colocada em formas para depois ser assada. Os pães são fatiados e nas bandejas, vão para o forno novamente para virarem torradas.

Fábrica de pães Charlotte

Fábrica de pães Charlotte

Fábrica de pães Charlotte

No chão da fábrica
Gosto muito de fotografar fábricas e a linha de produção. Sempre é um desafio. Tem a iluminação, a temperatura e a proposta de não atrapalhar o trabalho em curso. De resto é só tentar transformar processos em imagem. Só neh…!

A pauta é para um jornal e isso quer dizer que você terá um tempo muito curto para executar todo trabalho. Dessa forma, é melhor ter algo em mente. – Ah, isso nem sempre acontece.

Às vezes, o repórter fotográfico tem de ser “criativo” – termo usado aqui no Brasil quase como um expressão diante de alguma dificuldade. E elas são diárias.

Mas, nesse caso apareceu um detalhe que ajudou.

Participei de uma breve reunião com a diretoria da empresa e pude ouvir acerca da história da empresa, sua maneira de trabalhar, o carinho que eles tinham em fazer pão, entre outras. Além disso, já dei uma lida num cartaz na parede divulgando a “missão” e “premissa” da empresa.

Pronto,estava aí uma boa linha condutora do trabalho.

Tendo em vista ser uma empresa de grande porte e que todo trabalho é automatizado, optei por sugerir um conceito nas imagens, principalmente considerando o carinho que eles têm pela coisa toda. Nada melhor do que humanizar todos os processos. Isto é, para as máquinas funcionarem, para ter pão, precisa-se de pessoas.

Nesta pauta, o trabalho foi por etapas. Ou seja, fomos visitando setor por setor. Alguns foram mais simples de registrar, outros mais complicados – principalmente em relação à temperatura de cor. Mas, nada que a seleção de kelvin manual e uma pós-produção não resolvam.

Optei por usar um flash de sapata, que foi colocado num tripé e disparado via rádio. Pensei em fazer somente com a luz ambiente, mas a variação de luz não contribuía. Além disso, não poderia atrapalhar muito o trabalho dos funcionários. Então funcionou como um ganho de luz e luz de preenchimento.

Momento da gafe
No percurso vou conversando com as pessoas e peço para explicar o processo no qual ela estão atuando, pois ali pode haver algo interessante no conjunto do trabalho. Quase no final,  encontrei um rapaz (cego) que trabalha na linha de produção. “Opa, legal! Vamos fazer uma foto posada e tal. Que tal fazermos assim…. assim e tal…Você faz assim”. Ops! Ele de forma bem educada chamou a atenção desse incauto fotógrafo: “melhor você me explicar, falar como é, pois não adianta mostrar.”. Não sabia onde enfiar a cara. Discretamente pedi desculpas e disse que seria mais claro (voz alta e direta) – isso quer dizer que eu não tentaria explicar com as mãos. Rimos e por fim fizemos o retrato.

O pão está presente diariamente na vida de qualquer brasileiro. É consumido em forma de fatias, no jeitinho francês de padaria ou mesmo feito em casa. Sobre este último vou contar isso em outra história.

Este trabalho foi publicado na seção Bom Gourmet , do jornal Gazeta do Povo. Até o próximo post!!!


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Um comentário

  1. E, no final, você não mostrou como são feitas torradas tão deliciosas, as quais não conseguimos fazer em casa, seja com o pão que for, de maneira alguma.

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