“Batalha do Centro Cívico” – o dia mais cinza

“Batalha do Centro Cívico” – o dia mais cinza


Há exatamente um ano eu cobria a manifestação dos professores na Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, cidade de Curitiba. Incidente que ficou conhecido como a “Batalha do Centro Cívico”.

Naquele 29 de abril, segundo estimativas, mais de 20 mil manifestantes entre professores, educadores, sindicalistas, militantes, jovens, simpatizantes, protestavam contrários à votação de um projeto que alterava o fundo de previdência da educação. O dia estava um tanto que cinza.

Cheguei no ato, conversei com algumas pessoas para ficar inteirado da situação, cumprimentei colegas de profissão e comecei a fazer minhas fotos. No ar pairava certa tensão. Um helicóptero sobrevoa o local numa exibição de aparato. A insatisfação dos professores, de sindicalistas diante de um grupo de mais de 2 mil policiais, não soava nada promissor. Foi questão de tempo e estopim para tudo acabar em confusão e numa repressão policial em que mais de 200 pessoas ficaram feridas.

Eu estava bem perto das grades de isolamento à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e pude ver quando foram ao chão, o principio de confusão e os cassetetes dos policiais começaram a trabalhar. Na sequência, tiros de bala de borracha, bombas de gás e efeito moral deram o tom da dispersão.

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Uma nuvem branca de gás tomou conta do lugar. Correria e muitos gritos. Todos que ficaram ali estavam expostos a uma ação policial de grandes proporções. Gente sendo arrastada, manifestantes buscando proteção. Professores (não tão familiarizados aos protestos) choravam diante do que estavam vivendo.

Os protestos de julho de 2013 também não foram tão simples de trabalhar. Ocorreram em dias seguidos, muita violência e depredação, além disso, a presença da imprensa – pelo menos de determinados veículos – não estava assim bem à vontade. Porém, no dia 29 de abril a coisa foi diferente. Foi intenso nas poucas horas de duração. Bombas estouravam continuamente, somando um montante de mais de 2300 disparos de balas de borracha e 1413 bombas. O fato é que mais de 200 pessoas ficaram feridas. Na correria por imagens, acabei atingido por um disparo de bala de bala de borracha – ricocheteado ou a esmo – não sei ao certo. Senti uma fisgada, uma dor intensa e corri alguns metros, mas fui tomado pela falta de ar de tanto gás.

O embate tornou-se lastimável e com repercussão internacional pela maneira que ocorreu e pela violência em proporções. O inquérito que apurava a ação foi arquivado.

As feridas cicatrizaram, mas a dor ainda está latente na alma de muita gente que ficou traumatizada ou sentiu-se violentada. Foi um dia triste.

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