A última (grande) lição (sobre fotografia)

Fotos e texto: André Rodrigues


Sobre fotografia / sobre fotodocumentarismo familiar

Antônia Jacovicz era revestida da simplicidade de quem nasceu em meados da década de 1930. Seu nome ecoa entre alguns familiares e amigos. Os filhos e netos se lembram de seus conselhos e cuidados. Teceu a vida com uma alegria comedida e denunciava que era tipo de mulher que no fundo carregava certo sofrimento calado. Minha avó, mas que na intensidade da relação e carinho, muitas vezes a chamei de “mãe”.

A vida de “Dona Antônia’ não teve lá suas generosidades. E os últimos anos de vida tornaram-se mais penosos com a complicação no estado de saúde. Amiúde, foram várias idas e vindas ao hospital. Em sua última estada no hospital, o espírito lutou, mas o corpo não aguentou. Partiu aos 82 anos. Deixou um profundo sentimento de saudade e uma última lição para mim.

No contexto familiar, registrei alguns momentos nesses últimos anos. E fui feliz em fazer isto. Entretanto, houve muitos outros no qual perdi ou simplesmente negligenciei. A natureza da coisa é que agora sinto falta dessas memórias imagéticas perdidas. Faltam-me as fotografias vernaculares, as “fotos comuns” ou mesmo aquelas sem pretensão que seriam guardadas num álbum de família. Diante da falta das minhas fotos, tenho a sensação de ser um ente ausente. As poucas fotografias que tenho hoje comprovam isso. Você percebe? Você me entende?

Ou seja, a lição que aprendi [a posteriori] – e que compartilho – fotografe intensamente mais, pois vale a pena. Há muitos momentos triviais que são importantes no contexto de nossa vida, principalmente no seio familiar. Construa mais histórias de intimidade, faça da sua habilidade fotográfica uma ode à sua família e seu fotodocumentarismo particular.

Você também pode querer ler essa história: 
Sobre Fotógrafos - Isa Lanave

“Fotografe com a câmera, com a mente e principalmente com o coração. Fotografe tudo”, escrevi dia desses. Vale à pena sim e cabe muito nesse contexto da câmera e do olhar que se esgueiram nos bastidores da intimidade familiar. Para um fotógrafo, muitas vezes, a maneira de dizer algo é empunhando uma câmera. Às vezes não sabemos dizer algo assim de imediato, então fotografamos. Trocam-se poucas (ou nenhuma) palavras no ato fotográfico, mas o elogio (rara exceções) vem numa foto e sua respectiva história. Mais ou menos este caso.

Se você vai (ou vale) compartilhar nessa espécie de álbum online que são os blogs, redes sociais e afins, é outra possibilidade. O importante é que você terá muitas coisas para rememorar. Não se atenha apenas aos derradeiros. Você e sua família são um grande “Best-seller”. E não perca, pois você poderá não ter outra chance.

Veja outras fotos dessas história em :
http://www.andrerodriguesphoto.com.br

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