Procura-se / precisa-se

Fotos e Texto: André Rodrigues


Qual a relação entre painéis, paredes e caixas de fiação telefônica com a questão da demanda de emprego? Um recorte sobre oferta e procura de emprego.

A realidade das coisas tem lá suas variações, convergências e transições. E quando a questão é econômica, política ou mesmo social, o efeito tem lá sua estagnação, mas também suas ‘transacionalidades’ e progressos – deveras perceptível. O ditame, que quase poderia ser uma máxima sociológica, encaixa-se bem e se faz valer: “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”.


Dois anos atrás, as estáticas eram motivo de celebração. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a porcentagem de desemprego era baixa. Em Curitiba, por exemplo, a taxa de desocupação era abaixo da média nacional (4,8% contra 5,4%).

Na região central de Curitiba era fácil encontrar angariadores de ‘mão-de-obra’. Tal como o recrutador Wellington Mendes, jovem carismático de 20 anos, que não economiza abordagem e apelos para recrutar candidatos às diversas vagas que a empresa de assessoria profissional oferecia.

A publicidade improvisada ofertava vagas de emprego nas mais diversas áreas. A busca por candidatos estava estampada nos centímetros quadrados das paredes disputando o espaço com divulgação de soluções astrológicas, garotas de programa ou cursos de curso para mudar de vida.

Desemprego e poucas ofertas
Momento desfavorável na economia fez lançar um receio de crise (não só aqui por sinal e com reverberações na taxa de crescimento mundial). Questão de tempo para aparecer reflexos nos setores de atividade econômica. Não por menos uma alta no estado de desempregados – pelo menos no sentido formal dos relatórios apresentados. A grande Curitiba, teve um crescimento na taxa de desocupação de 5,6% para 6,5% – fruto da dispensa de trabalhadores mais qualificados e de perdas na indústria e setor da construção civil. Mas, segura a onda com a segunda menor taxa de desemprego do país. 


O reflexo da crise ocasionou números negativos no balanço do emprego – a maior taxa da série desde 2012, segundo os entendidos. Mas, a situação começa a mostrar mudança e há certa trégua nas demissões. Pelo menos nas capitais, a taxa já está mais estável.

Os folhetos (muitas vezes fotocópias em Xerox) com ofertas de trabalho sumiram das paredes – ou pelo menos diminuíram consideravelmente – ou pessoal da limpeza está mais agilizado. Nas esquinas da região central de Curitiba, os rapazes que gritavam vagas também saíram de cena.

Ficar desempregado (ou sem ocupação remunerada) é um receio de qualquer brasileiro – independente da condição social. Todavia, há quem aproveite a crise para alçar novos horizontes e novos empreendimentos. Além disso, vale a reflexão: tal como a foto do garoto no calçadão de Curitiba que buscava emprego (ano 2003 mais ou menos), a questão é sazonal. Com a chegada do fim de ano surgem as oportunidades de emprego temporário – uma simpática chance para recolocação no mercado.  Um período de transição, ou ainda se preferir, vale o ditado popular citado acima: “não há mal que dure para sempre”. 

» Edição com atualização de dados da Pnad Contínua em 25/11/2015 – fonte Gazeta do Povo. 

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